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S Tomé (parte I)

Nunca tinha ido a África e devo confessar que, na verdade, nem desejava lá ir. Mas nada melhor que ir para descobrir porquê, o que levantava suspeitas, o que causava inquietação. Mesmo assim não me posso queixar: não vi crianças subnutridas, esqueléticas; pelo contrário, vi crianças na generalidade bem nutridas, divertidas, simpáticas, alegres, que imploravam sofregamente, nem tanto dinheiro, mas doces, objectos pessoais, roupas_ ouve uns que pediram os óculos da minha irmã ou o aparelho dos dentes do piloto da força aérea portuguesa ao serviço em S. Tomé. Portugal, aliás, gasta perto de 6000 contos por cada viagem realizada de S. Tomé até ao Príncipe pelo seu avião e pelos seus aviadores lá colocados. Mas advinhem? Os pilotos funcionam como hospedeiras de bordo porque apenas transportam turistas que desejam conhecer uma das várias ilhas do país. Ou melhor, estas são as únicas viagens bem sucedidas que realmente efectuam. Senão vejamos: contou-nos o piloto que, certa tarde, foram enviados de urgência ao Príncipe porque lá se encontrava um homem em estado muito grave que, caso não fosse transportado rapidamente para o hospital da capital, teria morte certa. Lá foram esses pilotos-heróis buscar o infeliz, fazendo tempos recordes (a viagem demora cerca de 1 hora ida e volta), mas, chegados ao aeroporto, quem os esperava? Absolutamente ninguém. A ambulância teve mais de uma hora para chegar ao local_ exactamente o tempo que a força aérea portuguesa levou para trazer o paciente_ mas resolveu demorar mais uma hora. Conclusão: o homemzinho morreu.
Este é apenas um dos muitos episódios tristes que me foram relatados: outros vi-os eu. Tudo o que lá existe de bom ou de utilizável foi instalado ou produzido graças a cooperações com países estrageiros como a China, a Suécia, o Japão, Taiwan...e claro Portugal. Todas as estradas foram construídas na época colonial, por isso, há não menos de 30 anos, na melhor das hipóteses. Existem hospitais recuperados, novinhos em folha mas sem serem utilizados, pousadas_ que poderiam dar outra face ao turismo da zona_ desabitadas por inveja ou ganância. Isto porque segundo a elite política S. Tomense há duas máximas fundamentais no país que são rigorosamente seguidas pelos seus habitantes (e suspeito também pela elite política): a primeira é o "Leve, leve" (com calma, sem pressa), a segunda é "Nunca deixes o teu vizinho ter mais que tu. Antes fica com nada". É um retrato psicológico perfeito e transparente da vida de S. Tomé. No entanto, como disse, não vi crianças subnutridas: das árvores jorra toda a mais variada espécie de frutas_ ele é fruta-pão, banana-maçã, banana-ouro, banana-prata, mamão, jaca, maracujá, safu, magustão, ananás..._ no mar nem é preciso saber-se pescar para ter peixe em abundância. Mas a miséria é muita não há dúvida (...) (depois continuo).

O Aviocar de S. Tomé! Evacuações sanitárias, apoio logístico, ligação e transporte. Tem sido, ao que sei, um meio extremamente valioso. Esperemos que, a médio prazo, haja capacidade por parte deste país - e vontade em Portugal - para que aeronave lhes seja entregue...

Pedro

Até que enfim o blog começa a voltar à velha forma!
De S. Tomé conheço duas histórias: uma em que um computador é trocado por um carro; outra em que a avioneta destinada a fazer o transporte de doentes entre S. Tomé e o Príncipe está ocupada pelo Sr. Embaixador que mostra a ilha aos amigos; outra sobre uma companhia de aviação, em que existe o comandante e a hospedeira.
Bem, ou pelo menos era qualquer coisa deste género.

Pelos vistos conhecia três ;)...

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