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Cronómetro

Era tarde, mais tarde ainda do que aquela hora em que achamos ser tarde, apenas duas lâmpadas acesas na imensidão de candeeiros que acumulavam pó desde há mais que muitos anos (mais anos ainda do que aqueles achamos, normalmente, serem muitos).
A luz do monitor reflectia-se-lhe na cara, oferecendo à bibliotecária uma perspectiva detalhada das olheiras. Fechou o computador, arrumou os livros (mais livros do que aqueles que julgava – até à data - serem muitos) e preparou-se para enfrentar o frio de Janeiro. Enquanto fintava o trânsito lembrava-se de flashes de matéria, expressões que tinha dificuldade em articular de modo a que fizessem sentido. Jantou sozinho, congeminou planos para o dia seguinte. Tentava pensar em algo diferente, mas não conseguia. Queria mudar de cenário, para não cansar os espectadores. Desistiu quando percebeu que o único era ele.
Na cena seguinte aparece a roer o lápis enquanto passeia pelos jornais online. Pouco lhe importava se não sobrava tempo – compensaria no dia seguinte.
Da porta lateral sai ela - sempre deslumbrante – assediada por olhares curiosos. Poisa os livros, e retribui com um olhar, cortante como uma lâmina. Avança três passos e senta-se. Conta até 10 e aterra nos livros. O relógio conta 2h e ela levanta a cabeça. A recepcionista conta 5mn e vai arrumando as coisas. O segurança conta 6h e pensa que não vai aguentar aquele hall frio tanto tempo. O sino toca e os vidros estremecem; no entanto, ninguém liga.
Ele dá em doido com este ambiente quase asséptico. Falta-lhe um arrastar de cadeira mais alto, uns livros que poisem com mais força (mais força do que aquela que convencionamos ser a indicada para poisar livros). Desce os olhos do tecto e cruza-se com um olhar vazio, que nada tem para lhe dizer. Pouco lhe importa, são 7h. Arruma uns papeis escrevinhados e dirige-se para a saída. Não vê vivalma nas ruas, o caminho faz-se bem, apesar de estar frio. Tudo lhe parece pior quando pensa que amanhã não será diferente. Antes de adormecer pensa se fará sentido viver aprisionado numa sucessão infindável de déjà vus...

crónicas de um dia na casa da cultura sr antonio pedro?

Biblioteca Geral, Biblioteca Geral...

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