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sexta-feira, setembro 30, 2005

Rita Lee

Balada do louco
Arnaldo Baptista - Rita Lee

Dizem que sou louco
Por pensar assim
Se eu sou muito louco
Por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos
Sou Alain Delon,
Se eles são famosos
Sou Napoleão
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz, não é feliz

Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu

Se eles têm três carros
Eu posso voar
Se eles rezam muito
Eu já estou no céu
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz
Não é feliz

Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu

Sim, sou muito louco
Não vou me curar
Já não sou o único
Que encontrou a paz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
Eu sou feliz

quinta-feira, setembro 29, 2005

Preocupa-me

Que a maior parte dos diários tenha vindo ontem, dia 28, com a primeira e a última página pintadas de azul, em alusão à nova imagem da TMN. Preocupa-me, talvez porque explique muita coisa…

quarta-feira, setembro 28, 2005

Os meios não permitem os fins

"(...)Em jeito de resposta, a líder da delegação do PS no Parlamento Europeu (PE), Edite Estrela, defendeu ontem que a candidatura de Manuel Alegre às eleições presidenciais “divide a esquerda, mais do que o PS”. Para Edite Estrela “é evidente que a candidatura de Alegre divide a esquerda”, não o PS que “nos órgãos próprios, já se pronunciou a favor” de Soares."

in Correio da Manhã

Foi, aliás, isto que sempre pensei – Alegre não tem peso nem meios para dividir o PS. Votar em Soares não é, de todo, render ao peso pesado do PS. É evitar um candidato de direita que “nunca tem dúvidas”; é evitar um candidato que nunca foi mais na vida do que poeta, é evitar sermões excessivos em tom de homilia, é evitar discursos obsoletos. É votar num candidato com provas dadas, num projecto de esquerda democrática e, para mal dos pecados de muitos, perfeitamente enquadrado no seu tempo…

Por outro lado, ainda bem que o que apontam a Soares é um egocentrismo que tem razão de ser, que tem justificação. Há aqueles ego centristas que são-no sem terem motivos para o ser – e que, felizmente, dificilmente terão…

"O quê!? Dar às pessoas o direito de optar!?"

A Assembleia da República aprovou hoje a proposta do PS para a realização de um novo referendo ao aborto, que recebeu os votos favoráveis dos socialistas e do Bloco de Esquerda.

in Público

segunda-feira, setembro 26, 2005

Uma Alegre partida

a mesa de cafe

Alegre pregou a partida – talvez a muita gente, não a mim, porque já estava à espera de algo parecido, com aquele misto de surpresa e indignação que revelou quando o retiraram das sondagens.
Tenho bastante consideração pelo Manuel Alegre, político. No entanto, já não posso dizer o mesmo de Manuel Alegre, homem. Não lhe conheço uma profissão, não gosto da sua poesia e assustam-me os boatos da sua excessiva dedicação à Maçonaria; para além disso, não lhe reconheço maior mérito do que a Soares, nem me agrada esta sua candidatura, narcisista, ego centrista, que soa a capricho.
Depois há, obviamente, a questão estratégia: Alegre não consegue ir buscar votos à direita (esses estão todos guardados para Cavaco, apesar de este nem sequer ser bem o candidato da direita – ver o post de FNV sobre esta questão no Mar Salgado, cujo link está aqui à direita), não consegue ir buscar votos à esquerda PCP/ CDU, nem à esquerda de Louçã. E com a candidatura de Soares, já nem ao PS vai buscar votos, porque duvido que consiga dividir o PS, como afirmou naquele discurso comprovado, afinal, e nem um mês mais tarde, completamente demagógico: se esta divisão fosse entre Sócrates e Alegre, talvez conseguisse (toda aquela conversa do Sócrates neo-liberal, etc.). Com Soares, pode esquecer. Aliás, o que é que passa na Cabeça de Alegre para achar que está em condições de rivalizar com Mário Soares?
O preocupante é que muitas pessoas acharão que Alegre está em vantagem, voltando com a questão da idade de Soares. Eu, pessoalmente, já não consigo debater mais o assunto nestes moldes; a minha opinião é clara: Soares é o melhor candidato da esquerda democrática, um bom candidato para cumprir um primeiro mandato. Nesse período, deverá surgir um candidato de esquerda de peso, não devendo Soares arriscar mais quatro anos, porque só aí deverá vir a questão da lucidez e da idade – não agora. Só quem não está a par da vida de Soares é que o pode achar pouco lúcido, ou fora do seu tempo.
Assim, o meu voto irá certamente para Soares, independentemente das movimentações de Alegre ou mesmo de outros candidatos à esquerda. Não posso, no entanto, deixar de dizer que estas interferências do Manuel Alegre homem no Manuel Alegre político estão, a meu ver, a dar cabo dele – pelo menos no que diz respeito à coerência. Mas aí Soares também não sai ileso…

Memento

a mesa de cafe

Leonard Shelby: [voiceover] So where are you? You're in some motel room. You just - you just wake up and you're in - in a motel room. There's the key. It feels like maybe it's just the first time you've been there, but perhaps you've been there for a week, three months. It's - it's kind of hard to say. I don't - I don't know. It's just an anonymous room.

Memento, 2001

Já várias pessoas me tinham recomendado que visse este filme. Adiei o mais possível mas ontem, véspera de começo de aulas, não havia nada melhor que fazer do que ver um bom filme. Olhei para o monte dos DVD’s e pensei: é desta.
Uma coisa é certa: ainda bem que escolhi este. O filme é genial. “Memento”passou a ser, sem sombra de dúvida, o meu “film noir” preferido. Um thriller psicológico genialmente estruturado. E poderia continuar com elogios, mas penso que é melhor falar um pouco sobre o filme.
“Memento” é um filme que fala sobre a memória, jogando desde o início até ao final (ou desde o final até ao início – quando virem o filme perceberão o trocadilho) com esta. Leonard acorda no quarto de um hotel, “incaracterístico”. A sua vida recomeça todos os dias, servindo-se este “da rotina” para conseguir criar um sistema que lhe permita saber o que fez e o que deverá fazer. A partir do momento em que percebemos isto, percebemos que o filme está a ser contado anacronicamente, para percebermos no final qual a explicação do presente (isto pode parecer confuso, mas se virem o filme perceberão que não é).
O DVD inclui nas “extras” uma entrevista bastante interessante com o realizador. Acho que a deveriam ver. Ficarão a saber informações bastante interessantes sobre o filme, e sobre o realizador que produziu, antes de “Memento”, um filme de culto que me despertou bastante interesse: “Following”.
De elogiar é, também, a fotografia do filme, bastante boa. Seria melhor apreciada num ecrã de cinema, mas conseguimos aperceber-nos da sua qualidade mesmo numa televisão. E, claro, a par com esta, o desempenho de Guy Pearce e de Carie-Anne Moss.
Para terminar, recomendo que visitem o site oficial “otnemem” (“Memento” escrito ao contrário, para os mais distraídos). Mas recomendo que o visitem depois de verem o filme, porque só fará sentido depois disso.
Como já devem ter percebido, gostei bastante do filme, e acho que também vão gostar.

“Honest differences are often a healthy sign of progress.”

a mesa de cafe

Uns apoiam andando por tudo quanto é aldeia, escrevendo, convencendo. Outros apoiam com cânticos, como se de uma claque de futebol se tratasse. Nem ideias, nem opiniões. Nada. Um vazio ideológico assustador…
Da mediocridade só pode vir…mais mediocridade.

sexta-feira, setembro 23, 2005


(1000 imagens)

Uma fotografia para "ouvir" com os olhos. A mim, dá-me vontade de ligar a aparelhagem.

E é isso que vou fazer.

"A TVI sabe que Manuel Alegre se vai candidatar às presidenciais contra Soares e Cavaco Silva", Manuela Moura Guedes na abertura do Jornal Nacional

E se ela diz que a TVI sabe, nós acreditamos...

What if...

a mesa de cafe

Se os “Morangos com Açúcar” retratassem, de facto, Portugal, seriam bem diferentes...
Para começar, esqueçam os nomes tradicionais (vulgo normais). Os protagonistas chamar-se-iam Libânia e Hélio. Os nomes das outras personagens poderiam, porém, oscilar entre Nídia, Nádia ou Sabrina, Mauro, Maura, Katiana, etc.
Esqueçam o Colégio da Barra e o seu grupo de professores sorridentes. A escola seria um edifício podre, populado por professores colocados a 300 km de casa, de permanente mau humor, e por alunos de todas as aldeias num raio de 100 km. No entanto, as gravações aqui durariam pouco tempo, porque ao fim de 3 meses de aulas o elenco já tinha todo chumbado por faltas.
O “Down Hill”, o “Kaite Surf”, o “Rugby” e todas essas modalidades populares simplesmente não existiriam. A única modalidade popular entre as personagens seria mesmo o futebol. No entanto, se se poder considerar isto desporto, os picanços ocupariam também um lugar de destaque. Aliás, os Peugeot e Citroen com mais de 12 anos, seriam os únicos veículos utilizados, transformados desde o pára-choques à mala, com grandes “ailerons”, neons e colunas que fariam o carro tremer no volume mínimo. E pintados, obviamente, de cores discretas, como azul-bebé metalizado ou verde alface.
A banda sonora formada à base de pop pastilha elástica e hip-hop, seria substituída por Euro Dance – se não sabem o que é, imaginem o resultado da aceleração da música do Titanic, com uma melodia de órgão por trás que repete de 3 em 3 segundos. (Nota: Esta música existe mesmo). As personagens sairiam à noite para uma discoteca do tamanho de um pavilhão desportivo, com todo o tipo de drogas a circular lá pelo meio. Nos dias em que isto não acontecia, as personagens iriam para o meio do mato ouvir Techno (Euro Dance), e beber bebidas às cores com comprimidos azuis, vermelhos e cinzentos lá dentro.
O enredo seria bastante mais intrigante e variado: A Libânia trocaria consecutivamente o Hélio pelo Mauro e pelo Ivo, o Hélio levaria consecutivamente todas as moças da aldeia (a Nídia, a Nádia, a Sabrina e a Katiana) a dar uma volta no seu “GTI”. Ou melhor, quase todas, visto que Maura teria obesidade mórbida – de estar sentada o dia todo em casa a ver novelas, “O 1º regimento”, “o Fiel ou Infiel” e a comer chocolates do “Lidl”. Esta personagem apareceria em grandes planos, a arrastar o seu rabo de 1m, acondicionado dentro de uns calções de Lycra pretos – é obvio que esta personagem teria um final feliz: acabando anoréctica, com 45kg no final, como sempre tinha sonhado. No entanto, nenhum dos pais notaria que se passasse alguma coisa de estranho com ela.
E é claro que, no final, Hélio e Libânia acabariam juntos, porque Libânia engravidara – embora não tivesse bem a certeza de quem. Como disse, acabariam juntos, mas não sorridentes, porque a 1ª série acabaria com Libânia a ser empurrada de umas escadas…

Um link a visitar...

http://www.eviltree.de/zoomquilt/zoom.htm

quinta-feira, setembro 22, 2005

The don't care attitude

a mesa de cafe

(Juro que este post não é uma indirecta para ti, Mestre)

I don’t care about aborto – preocupar-me-ei quando for comigo. Até lá, não importa que o problema fique por resolver. I don’t care about despenalização das drogas leves – eu nunca me meti nisso, não tenciono meter, e o meu filho não se meterá, igualmente, em semelhante coisa. I don’t care about eutanásia – sou jovem e saudável. I don’t care about nada. Absolutely nada. I don’t care, I just don’t care, I don’t give a f**k.

Vaticano tenciona proibir a admissão de sacerdotes homossexuais.

O Vaticano vai promulgar, nas próximas semanas, normas que proíbem os homossexuais de serem admitidos em sacerdócio, ainda que mantenham o celibato, avança hoje o "New York Times", citando uma fonte da Igreja Católica.

(...)

As novas normas não supõem nenhuma mudança de doutrina, mas uma explicação, uma vez que, apesar de não terem sido aplicadas nas últimas décadas, existem regras semelhantes anteriores. Um documento de 1961 aconselha a rejeição da ordenação de quem tenha "inclinações perversas, como a homossexualidade ou a pedofilia".

A fonte assinala ainda que os aspirantes homossexuais ao sacerdócio, ainda que se comprometam à castidade, podem "sentir tentação" num seminário, "que tem um ambiente especial, uma vez que se está rodeado por homens e não por mulheres".

--------------------

Perante isto, várias questões se colocam:


  • Se todos os sacerdotes fazem voto de castidade, qual é o mal da existência de homossexuais celibatários? Com uma vida sexual inexistente, não há diferenças entre hetero e homossexuais.
  • Se, de facto, o celibato é uma condição sine qua non, um homem é ordenado, então não deveriam ser previstos quaisquer incumprimentos... Ou não?
  • Se quem segue a via religiosa está ciente das consequências da sua opção, será que cairá em tentação assim tão facilmente?
  • Será que é pela distância relativamente às mulheres que os celibatários heterossexuais vão cumprir o seu voto? Não haverá "fugas" ao celibato? (Claro que há!)
  • Porque é que comparam a homossexualidade à pedofilia, será a primeira, porventura, um crime? (Parece que para o Vaticano é.) E mesmo que se queira considerar como um crime, é de um nível tão hediondo como a pedofilia?
Moral da história: A igreja católica precisa de se abrir à realidade e à actualidade, cada vez mais.

  • Porque se há de dar crédito a um documento de 1961?
  • Porque não se olha para a homossexualidade de um modo mais tolerante? Será que é por estar na bíbilia que a homossexualidade é um pecado? Então mas se muitos dizem que a bíblia não pode ser interpretada à letra em certos aspectos, tem de se interpretar este?
  • E, por fim, para que diabo serve o celibato dos sacerdotes? (Calculo que seja para que a igreja perca cada vez mais adeptos).

“Não há disciplina à qual me sinta forçado a submeter-me, por mais rigoroso que seja o raciocínio apelando à minha adesão. Dois ou três princípios de morte ou de vida encontram-se para mim acima da mínima submissão precária. A lógica sempre me pareceu estranha.”

Em plena noite ou o bluff surrealista, Antonin Artaud

quarta-feira, setembro 21, 2005

A Ponta do Iceberg

a mesa de cafe

"Fátima Felgueiras detida hoje à chegada a Lisboa"

in “Público”

Não era nada que já não se esperasse, era previsível e até demais. Na verdade, a detenção de Fátima Felgueiras (ou o próprio caso em si) são o começo de um quase infindável trabalho de fiscalização que ainda há por fazer nas autarquias. Enquanto o país ceder à corrupção, não desaparecerão mastodontes de betão em zonas históricas, não desaparecerão notícias tentativas de suicídio à hora do almoço, não desaparecerão todos os Avelinos e Fátimas, cujo desaparecimento é uma condição fulcral para que as coisas realmente funcionem. Não que elas não funcionem, servindo as clientelas do costume; mas penso que seria bastante bom que isto às vezes não se assemelhasse a S. Tomé ou Marrocos, ou outra porra de um qualquer país 3º mundista…

segunda-feira, setembro 19, 2005

Your Blog Should Be Green

Your blog is smart and thoughtful - not a lot of fluff.
You enjoy a good discussion, especially if it involves picking apart ideas.
However, you tend to get easily annoyed by any thoughtless comments in your blog.

As novas bestas da Universidade de Coimbra

domingo, setembro 18, 2005

Parabéns...

A todos os colocados, deste blog ou dos vizinhos...

“Então não cumprimenta? Extraordinário. Grande ordinário!”




Foi assim que reagiu Carmona Rodrigues ao ver frustrada a sua tentativa de se despedir cordialmente de um “indignado” Manuel Maria Carrilho.
Na verdade, parece que a idade mental do segundo se situa por volta os 10 anos, pois a sua reacção foi da mais pura infantilidade. Por muito aceso que seja um debate, é “suposto” travar-se entre duas pessoas mundanas e civilizadas, devendo por isso manter-se uma base e cordialidade.
Mais ainda, se isto não bastasse, Carrilho embelezou ainda mais a situação, dizendo, primeiro, num estilo da mais pura demagogia, que este era um facto acessório, de pouco interesse para a Cidade de Lisboa e os seus cidadãos; e, posteriormente, dando a entender que alguém que havia proferido tamanhas calúnias durante o debate com sua excelência não merecia sequer que este lhe dirigisse o olhar, quanto mais um aperto de mão, "Quem não se sente não é filho de boa gente".
Mas não é tudo. Não contente, o candidato socialista proferiu, ainda a seguinte frase: “Exijo no mínimo do eng. Carmona Rodrigues um pedido de desculpa” por Carmona ter repescado, durante o debate, uma história polémica publicada em 1999 na Imprensa sobre a alegada construção de uma casa de banho de luxo no Ministério da Cultura, quando tutelava a Pasta. Carrilho pode até ter razão, mas nada justifica a sua atitude!
Com um erro destes, Carrilho parece, de facto, querer entregar de bandeja a vitória a Carmona Rodrigues, sem este ter de fazer mais nada do que ser bem-educado para se superiorizar…

P.S. Quem não teve oportunidade de assistir à cena perdeu uns os momentos televisivos mais hilariantes dos últimos tempos. Por isso, aconselho vivamente o seu visionamento! É pedagógico!

sábado, setembro 17, 2005

Seviço Público

O ar intelectual dos manifestantes desta tarde permitiu ao comum dos mortais reter aquilo que era preciso reter. Este Frente Nacional está a desenvolver um bom serviço público - Portugal precisa de rir. E muito.

(A mim pareceu-me um grupo de homossexuais frustrados...)

Um bom mau artesão

a mesa de cafe

O Sr. Silva sempre foi conhecido pelo seu temperamento duro e determinado. Como que por carinho, os amigos (que não abundavam) sempre lhe disseram que era brilhante naquilo que fazia, embora todos os outros, talvez por inveja, achassem que o Sr. Silva não era assim tão bom. Talvez fosse porque o Sr. Silva deixava sempre os sapatos mal remendados, para que os clientes tivessem que lá voltar, gastando às vezes mais em arranjos do que aquilo que originalmente tinham pago pelos sapatos. Era esperto, o Sr. Silva. Um dia, soube que o sapateiro da sua zona tinha fechado, talvez por doença. Quanto aos do bairro vizinho (com quem cultivara sempre grandes inimizades), não se preocupava, porque não tinham condições de o enfrentar (um estava demasiado velho – apesar de os que conheciam o seu trabalho não o acharem; o outro só engraxava, e o outro era conhecido na zona por arranjar os sapatos baratos, mas não tinha grande jeito). Nesse dia, o Sr. Silva, ao se aperceber que era o sapateiro na zona a que as pessoas mais iriam recorrer, abriu uma garrafa de vinho ao jantar, e ofereceu um vestido à mulher, por sinal horrendo (não que fizesse mal, a Sra. Silva também não se sabia vestir) – afinal, o Sr. Silva não era alfaiate, nem tinha jeito para o tecido. Aquilo que o Sr. Silva sabia mesmo fazer era arranjar sapatos. Nem uma gota de gosto, de tacto, de sensibilidade. Só o frio couro, o cabedal, a pele. Nada mais.

(Inspirado no texto “O Invergável”, do “Mar Salgado”)

Smashed

a mesa de cafe

You scored as Buddhism.

Your beliefs most closely resemble those of Buddhism. Do more research on Buddhism and possibly consider becoming Buddhist, if you are not already. In Buddhism, there are Four Noble Truths: (1) Life is suffering. (2) All suffering is caused by ignorance of the nature of reality and the craving, attachment, and grasping that result from such ignorance. (3) Suffering can be ended by overcoming ignorance and attachment. (4) The path to the suppression of suffering is the Noble Eightfold Path, which consists of right views, right intention, right speech, right action, right livelihood, right effort, right-mindedness, and right contemplation. These eight are usually divided into three categories that base the Buddhist faith: morality, wisdom, and samadhi, or concentration. In Buddhism, there is no hierarchy, nor caste system; the Buddha taught that one's spiritual worth is not based on birth.

Buddhism

79%

Paganism

75%

agnosticism

75%

Satanism

71%

atheism

67%

Christianity

54%

Islam

50%

Hinduism

38%

Judaism

38%

Which religion is the right one for you? (new version)
created with QuizFarm.com

sexta-feira, setembro 16, 2005

"Micro" em série

a mesa de cafe

Aproximam-se as matrículas na faculdade e, com elas, toda a panfernália de tarefas que é preciso cumprir para que as possamos realizar. Uma delas é, como todos sabem, a so called “micro”.
A “micro” é, na maior parte dos casos, feita no BCG. E, como a maior parte dos casos representa uns bons milhares de alunos, sentimo-nos lá como máquinas na linha de montagem, à espera do último acabamento. Uma fila de gente, toda à espera do mesmo: de entrar para uma sala radioactiva, com um homem radiado umas 8h por dia, que, quase maquinalmente, repete: “encha o PEITO DE AR”. Aquilo deve ser uma espécie de código, porque não diz aquilo no mesmo tom; vai aumentando. Assim, passados nem 3mn estamos despachados. Isto é, deveríamos estar, porque, com o meu azar crónico, tive lá uns bons 6mn à espera que aquela espécie de utensílio espacial se dignasse a funcionar.
Mas pronto. Tem piada. Aliás, estes dias que antecedem a faculdade prometem ter muita, mas muita, piada…

quinta-feira, setembro 15, 2005

Sonho Impossível

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a torutura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.


Chico Buarque

PS Autárquicas

Hoje olhei para um cartaz de Vitor Baptista, o candidato PS por Coimbra e pude ler que este se compromete a realizar duas obras: Nova Ponte Pedonal e Palácio de Congressos. E agora pergunto eu: e essa dita ponte já não está em construção no Parque Verde? E se estamos a falar noutra ponte, para quê duas pontes pedonais? Quanto ao Palácio de Congressos, não tenho a certeza se já é um projecto em curso, mas lembro-me de ouvir falar nisso.

Mas nem tudo é mau...

Por outro lado, tenho de dar os parabéns pelo cartaz que se encontra à entrada do parque de estacionamento do Parque Verde, porque, embora ache demasiado forte, reconheço que a mensagem é inequivocamente eficaz para cativar eleitores (embora não a mim). Para quem ainda não leu, o cartaz diz que todo aquele espaço foi um projecto PS, no âmbito do programa Polis, e que Carlos Encarnação votou contra ele.

Qual é o espanto?

a mesa de cafe

Mário Soares afirmou numa rádio francesa que chega à comunidade portuguesa lá residente, que Cavaco “não tem perfil nem formação humana” para desempenhar o papel de um P.R. Estas declarações (inegavelmente polémicas) provocaram um grande burburinho em alguns blogs – desnecessariamente, a meu ver: Soares não foi incorrecto nem pretendeu, certamente, insultar o ex-primeiro ministro – aliás, não foi o primeiro nem será, com certeza, o último, a chegar a esta conclusão; como já foi dito várias vezes, Cavaco reúne apenas algumas qualidades técnicas (discutíveis), não tendo um perfil humano nem social, fulcral num Chefe de Estado. Isto já deixou de ser novidade…Qual é o espanto? E desde quando é que a frontalidade (desde que não se torne insultuosa) é um defeito?

Já não era sem tempo...

a mesa de cafe

"Cavaco Silva vai anunciar muito brevemente aos portugueses a sua decisão sobre a corrida presidencial. “Vou dizer em primeiro lugar aos portugueses, não daqui a muito tempo”, afirmou ontem Cavaco em Londres."

in Correio da Manhã

Já não era sem tempo. Não há justificação para o adiamento deste anúncio: Cavaco percebeu, já há muito tempo, que o povo percebeu que este iria ser candidato. Este adiamento motiva a uma série de raciocínios: estaria Cavaco à espera do avanço de algum candidato à sua direita, para prevenir o tipo de confusões como houve com Alegre? Terá sido Cavaco apanhado pela surpresa (feliz) de ser o único candidato presidencial da direita? Ou será que este adiamento tem apenas uma razão de ser, que é a de reduzir o confronto/ debate com Soares ao mínimo tempo possível?
Se tanto se clamou por umas palavras de Soares sobre o “atropelamento” de Alegre, espero bem que se clame de igual forma por uma justificação a todo este silêncio, desnecessário, irresponsável, dissimulado…

Estratégia ou bom senso?

a mesa de cafe

"O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, viu ontem a Assembleia da República responder de forma positiva ao seu pedido de suspensão de mandato. O ex-primeiro-ministro vai ser substituído por Jorge Moreira da Silva durante 50 dias."

in Correio da Manhã

quarta-feira, setembro 14, 2005

9/11

A Letter to All Who Voted for George W. Bush from Michael Moore
To All My Fellow Americans Who Voted for George W. Bush: On this, the fourth anniversary of 9/11,
I'm just curious, how does it feel?
(...)
My Republican friends, does it bother you that we are the laughing stock of the world? And on this sacred day of remembrance, do you think we honor or shame those who died on 9/11/01? If we learned nothing and find ourselves today every bit as vulnerable and unprepared as we were on that bright sunny morning, then did the 3,000 die in vain?
Our vulnerability is not just about dealing with terrorists or natural disasters. We are vulnerable and unsafe because we allow one in eight Americans to live in horrible poverty. We accept an education system where one in six children never graduate and most of those who do can't string a coherent sentence together. The middle class can't pay the mortgage or the hospital bills and 45 million have no health coverage whatsoever.
Are we safe? Do you really feel safe? You can only move so far out and build so many gated communities before the fruit of what you've sown will be crashing through your walls and demanding retribution. Do you really want to wait until that happens? Or is it your hope that if they are left alone long enough to soil themselves and shoot themselves and drown in the filth that fills the street that maybe the problem will somehow go away?
I know you know better. You gave the country and the world a man who wasn't up for the job and all he does is hire people who aren't up for the job. You did this to us, to the world, to the people of New Orleans. Please fix it. Bush is yours. And you know, for our peace and safety and security, this has to be fixed. What do you propose?
Yours, Michael Moore

Presidenciais II - As críticas

Várias desculpas se têm inventado ultimamente para justificar a inaptidão dos dois candidatos à presidência da república (o.k., cavaco ainda não é…), quanto a mim manifestamente insuficientes….

Quanto a Soares: -Diz-se que é muito velho! Ora, estarei eu iludido ou serão essas mesmas pessoas as que diziam que o Papa estava perfeitamente bem e que não devia abdicar e que, provavelmente, criticam, do mesmo modo, “esta sociedade de hoje” pelo modo como despreza os anciãos. Soares está, isso sim, perfeitamente lúcido, até demais…
-Diz-se, também, que não percebe de Finanças. Neste caso, pergunto eu, se será o Presidente da República a governar ou o 1º Ministro? Claro que convém estar a par dos problemas do país, mas não é estritamente necessário ser um “barra” no assunto…

Quanto a Cavaco: -Diz-se que não “parla” bem, que é um tecnocrata. Estarei eu mais uma vez errado, ou a qualidade que se elogia aqui é, isso sim, um defeito, a chamada “politiquice”. Um Presidente não necessita de ser um Retórico, mas sim, uma pessoa eficaz. Claro que convém que saiba falar, mas não me parece, francamente, que Cavaco seja iletrado, longe disso!
Diz-se, ainda, que não tem prestígio no estrangeiro. Bem, se não tem, é caso para dizer que os “estrangeiros” andam cegos, pois se o único 1º Ministro português de sucesso não é reputado, quem será? Este argumento é normalmente justificado pelo claro desnível no número de presenças em eventos no estrangeiro entre Soares e Cavaco. Aqui surgem dois factos justificativos: 1º, Cavaco também tem ido ao estrangeiro no âmbito de conferências. 2º, Como todos sabem, Cavaco tem estado, deliberadamente, afastado das câmaras, o que, obviamente se repercute neste caso.

Concluindo, estes exemplos não passam do habitual esgrimir de argumentos entre as duas partes, numa desesperada procura de falhas no candidato opositor. Todas estas características são, evidentemente qualidades que se apreciariam num Presidente da República, mas não são, de modo algum, as únicas, e muito menos as mais importantes.

terça-feira, setembro 13, 2005

KO no 1º Round?

Parece que o tabuleiro se virou do avesso; Carlos Encarnação, conhecido na cidade pela sua postura e correcção, exaltou-se no debate com Vitor Batista e ficou claramente aquém do candidato socialista, em praticamente tudo (“(…)Metro, os fogos, o emprego, a dívida e a ingovernabilidade por Encarnação da Câmara, e a habitação…” politicaehouse). Este outro, conhecido na cidade pelo seu temperamento tempestuoso, mostrou solidez de projectos e uma postura calma, de ponderação, que surpreendeu muita gente.
É bom que Carlos Encarnação recupere o terreno perdido…Caso isso não aconteça, perderá muito eleitorado de esquerda, que estava até disposto a votar nele porque, verdade seja dita, é injusto afirmar-se que a cidade não está, pelo menos, mais organizada, mais dinâmica, contrastando com a monótona Coimbra de Machado. No entanto, não há nada como tirar as nossas próprias conclusões, e ver o debate, que irá ser transmitido na RTPN e na RTP1 dias 18 e 19.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Muito bom

a mesa de cafe

Recomendo vivamente a leitura n' "O JUMENTO", da barra lateral, em baixo, em que se encontram diversas figuras (políticos, futebolistas...) e por baixo uma palavra com o respectivo significado, retirado do "Houaiss". Está mais do que bem apanhado.

Vou ter que pôr este blog nos links...

Companheiro Bush



Companheiro Bush - Tom Zé

Se você já sabe
Quem vendeu
Aquela bomba pro Iraque,
Desembuche:
Eu desconfio que foi o Bush.

Foi o Bush,
Foi o Bush,
Foi o Bush.

Onde haverá um recurso
Para dar um bom repuxo
No companheiro Bush?
Quem arranja um alicate
Que acerte aquela fase
Ou corrija aquele fuso?

Talvez um parafuso
Que tá faltando nele
Melhore aquele abuso.
Um chip que desligue
Aquele terremoto,
Aquela coqueluche.

"Para os que esquecem facilmente"

a mesa de cafe

Gostava que este texto tivesse sido escrito por mim. Infelizmente não foi, mas poderia ter sido. Recomendo vivamente que o leiam; não a título informativo, apenas quero que recordem quem é o verdadeiro António Anibal Cavaco Silva...Aquele que parece esquecido pela mesma população que agora o aclama nas sondagens...

"Para os que contemplam colocar um voto a favor do Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva na próxima eleição presidencial, havemos de confrontar a eventual candidatura desse….senhor… com umas realidades, vividas por aqueles que tiveram o azar de tentar ganhar a vida quando ele foi primeiro-ministro.
Aníbal Cavaco Silva foi o pai da política de betão, que viu Portugal investir rios de dinheiro, que custou muito a ganhar pelos cidadãos dos outros países da Comunidade Europeia, em pontes e auto-estradas e um centro cultural de Belém e mesmo assim, viu Portugal andar sistematicamente para trás. Por qualquer razão teria sido.
Aníbal Silva, durante seu legado de primeiro-ministro entre 1985 e 1995, deixou sua marca no tecido social de Portugal tal como um cão que urina num poste. Marcou sua posição, e ponto final. Nem investiu no tecido social do país, nem cultivou um clima de pactos sociais numa altura importante, dez anos depois da Revolução e a transformação social inerente.
Aníbal Silva não investiu no tecido social de Portugal fundamentalmente porque é o tipo de pessoa que tem problemas com a relação humana, condição básica para qualquer candidato à Presidência.
Notou-se no legado de Aníbal Silva entre 1985 e 1995, anos muitíssimo facilitados pela injecção de rios de dinheiro jorrando pelas fronteiras dentro, que o primeiro-ministro de então vivia em estado de sítio… num bunker subterrâneo durante a primeira guerra do Golfo…espancamentos institucionais contra trabalhadores…investidas das autoridades contra os utentes da Ponte 25 de Abril (lembram-se do veículo blindado colocado aí pelo governo de Cavaco?)
Mentor dum modelo económico agressivo de monetarismo liberal com cariz demente, Aníbal Silva conseguiu numa década destruir quase por completo o elo de confiança que ligava o povo aos seus governantes e conseguiu em dez anos destruir o tecido social do seu país, impondo sobre seu povo políticas de laboratório, tornando os portugueses em cobaias, lançando cientistas sociais do calibre de Manuela Ferreira Leite, a única Ministra de Educação que conseguiu juntar dez mil estudantes na Avenida Cinco de Outubro a gritarem “Puta!” frente ao seu ministério.
Aníbal Silva afirmou muitas vezes que os impostos diminuíram, mas só se fosse nas suas políticas de laboratório. Quem trabalha em Portugal há 25 anos sabe muito bem que não foi bem assim. Houve quem pagasse três contos por ano no imposto complementar e no ano seguinte pagasse 90 contos do IRS, com aquela loucura dos pagamentos por conta (em que o Ministério das Finanças consegue receber um empréstimo, baseado nos cálculos sobre o que uma pessoa poderia vir a ganhar).
Aníbal Silva foi pai do pagamento por conta, que é um roubo institucional sobre rendimentos especulativos que poderiam ou não provir no futuro. Aníbal Silva foi pai da ideia de ligar a hora de Portugal à Europa Central, o que provocou um número recorde de portugueses a procurarem apoio psicológico, devido a níveis de estresse sociais numa exacerbada situação económica e uma arrogância institucional e horários desumanos e nunca testados em Portugal. Foi um desastre, e Aníbal Silva sabe disso.
A gestão partidária de Aníbal Silva foi igualmente desastrosa, pois esse professor universitário conseguiu quebrar quase por completo a credibilidade do seu partido, divorciando-se deste e lançando-se no seu absurdo tabú (que resultaria na derrota compreensiva por Dr. Jorge Sampaio), sabendo que estar ligado ao seu próprio partido, que dirigiu durante dez anos, seria suicídio político.
Ora bem, qual é a credibilidade política duma pessoa que lidera um partido durante dez anos e depois se esconde dele?
Aníbal Silva foi um péssimo gestor do seu povo, pois tentou tratar os portugueses como um negócio. Durante o legado de Aníbal Silva, o PSD chegou a ser odiado pela maioria dos portugueses. Apareceram imagens de Duarte Lima (líder da bancada do PSD) a serem comparadas com Rottweilers…Aníbal Silva levou o seu partido ao fundo do vale e houve muitos membros do PSD na altura que declararam que nunca iriam perdoar Aníbal Silva por aquilo que fez ao partido.
Porém, no estudo duma candidatura para uma presidência, há que ir além dos fracassos como líder partidário, como primeiro-ministro e como pessoa. Basicamente é na condição da sua pessoa que Aníbal Cavaco Silva falha (também) rotundamente como candidato, embora que possa haver muitos amigos e familiares que dizem o contrário, naturalmente.
Como é que Portugal, cuja população é historicamente da área política do centro-esquerda, pode eleger um presidente com caracter abrasivo, arrogante, antipático e ríspido, como é o Aníbal Silva, que foi descrito por fontes de imprensa estrangeiros como “o espinhoso”?
Para a presidência, é preciso uma pessoa culta, que sabe quantos cânticos tem Os Lusíadas, que sabe comer com a boca fechada, que sabe mexer nos talheres, e cuja esposa esteja à altura e não ridicularize as pessoas pela sua maneira de falar.
É preciso uma pessoa ponderada, simpática, moderada, paterna, calma, conciliador, humilde quanto baste mas com a capacidade de atingir e motivar as pessoas com inteligência emocional e não QI frio, em fim, uma pessoa que gosta dos seres humanos e que tem uma relação normal com eles.
Para aqueles cujas memórias sejam curtas, uma pergunta: será que Aníbal Silva tem o perfil certo, será que tem uma única qualidade daquelas referidas acima?
Então Cavaco…não obrigado."

retirado de http://pt.novopress.info/?p=228

domingo, setembro 11, 2005

Cinema

Em menos de uma semana vi um excelente e um péssimo filme .


Cinderella Man, muito bom. Acerca da grande depressão dos anos 30 nos E.U.A. e da família próspera de um pugilista que coloca todos os lucros dos combates na bolsa. Com o crash de Wall Street chegam ao extremo da miséria e tentando lidar com ela e, por fim, ultrapassando-a. É mais uma união do grande actor Russel Crowe e do realizador Ron Howard (como em A Beautifull Mind) que vale a pena ser vista.


House of Wax, horrível. Mais um daqueles filmes de pseudo-terror sem sentido, cujo motivo de sucesso é a participação de Paris Hilton, num papel, diga-se de passagem, totalmente irrelevante para a história.

11 de Setembro


Foto d' O Jumento na Festa do Avante.
Achei adequado pô-la aqui nesta data.

"O Aviador", de Martin Scorsese

a mesa de cafe

Um filme grandioso não tem que ser um filme excelente. “O Aviador”, de Martin Scorsese, é a prova de que esta teoria está, bastantes vezes, certa. O filme biografia de Scorsese tinha todas as condições para servir de referência para este tipo de filmes. No entanto, e já vão perceber porquê, não conseguiu (nem conseguirá) ser.
Não conhecia a história de Howard Hughes, personalidade do mundo da aviação e do cinema cujo trabalho impulsionou bastante ambos. O filme de Scorsese centra-se neste ponto, essencialmente, mas não é um retrato completo do percurso biográfico desta personalidade. A infância deste, por exemplo, serve somente para nos dar uma possível justificação para os comportamentos neuróticos de Hughes, que se vão tornando cada vez mais obsessivos à medida em que os acontecimentos se vão desenrolando. Porém, o clímax destes comportamentos, (aquela imagem de Hughes de cabelos desgrenhados e unhas compridas) não está cronologicamente correcto no filme, visto que só depois do julgamento é que este piora. Dizem também aqui, que quer a personagem de Leonardo DiCaprio, quer a de Kate Beckinsale, estão a milhas de, respectivamente, Howard Hughes e Ava Gardner, e não só no aspecto físico – dão-nos a entender, basicamente, que DiCaprio ainda precisava de amadurecer bastante para fazer um papel desta envergadura – o que não deve ser totalmente mentira. É na parte biográfica que o filme falha, e que não poderia falhar. De resto, há partes verdadeiramente geniais, como a adaptação do épico de Hughes, ou mesmo até o adensar dos seus comportamentos obsessivos que, obviamente, têm consequências.
Tal como disse no início, pode-se dizer que “O Aviador” é um filme grandioso. Talvez não tanto como a personagem de Howard Hughes, cuja biografia é, efectivamente, estrondosa (recomendo a leitura desta no site que indiquei). Mas não deixa de ser um filme razoável. Não mais que isso – e justifica-se, por isso, o fracasso nos “Óscares” (apesar de, como toda a gente sabe, este não ser um festival de cinema de referência), quando confrontado com “Million Dollar Baby” – que mereceu todas as estatuetas que arrecadou, incluindo a de “Melhor Filme do Ano” (a crítica fica para mais tarde).

sábado, setembro 10, 2005

Empire State Builiding, NYC

Nova Iorque aparece com um detalhe impressionante. Dá para ver os prédios com muita boa resolução e muito perto.

Cidade Proibida, Pequim

A Muralha da China vê-se perfeitamente. Aqui a cidade proibida…

Pavilhão Atlântico e Gare do Oriente, Lisboa

Provavelmente já ouviram falar (e até já experimentaram) o novo programa do Google, o Google Earth, em que dá para ver imagens recolhidas por satélite de praticamente todo o planeta, apesar de as cidades maiores aparecerem com muito mais detalhe e resolução que outras mais pequenas. Contudo, há cenários naturais bem detalhados, como o “Grand Canyon” ou o Deserto do Saara.
Peço desde já desculpa pelo número de imagens (eu não gosto de exagerar nas imagens, porque o Blog abre mais lentamente), mas achei que valiam a pena e que, certamente, vos iriam despertar interesse por este programa, que tem uma grande vantagem, que é ser gratuito. Para além disso, podem pesquisar directamente pelo nome de monumentos, museus e edifícios, marcar locais de interesse numa espécie de “Favoritos” e, obviamente, tirar Print Screens (que ficam bem como fundo de ecrã) …
Uma nota: as imagens ficaram pequenas; para as verem no tamanho original, cliquem nelas – demoram tempo a abrir…
Podem fazer o download do programa aqui.

Cavaquismos a seguir ao almoço...

Não posso afirmar, com certezas, quais as razões que estão a levar Cavaco a adiar o anúncio oficial da sua candidatura. No entanto, posso arriscar numa hipótese: que é a de este ex-P.M. pretender limitar o debate presidencial ao mínimo tempo possível para, tal como se verifica agora, o impacto da sua candidatura lhe adiantar muito trabalho.
Por isso, não sei se verá com muito bons olhos esta vitória “esmagadora” e “antecipada”…

sexta-feira, setembro 09, 2005

Viva o turismo


"Ao mesmo tempo que se queixam da seca, os autarcas algarvios preparam-se para licenciar a construção de mais uns 30 campos de golfe, cada um dos quais consome água por 8000 pessoas".

Miguel Sousa Tavares, PÚBLICO, 9-9-2005

Liberdade

Disposmos de todas as possibilidades da mais absoluta liberdade de escolha. Como num livro, onde cada letra permanece para sempre na página, a nossa consciência tem o direito de decidir o que quer ler e o que prefere deixar de parte.

Richard Bach

A mesa de café

Hoje pensei numa questão, mas não conclui nada. Espero uma resposta da mesa de café.


Uma vez na mesa de café, qual é a melhor companhia?
1. Quem conhecemos.
2. Quem queremos conhecer.
3. Quem desconhecemos.
4. A mesa de café.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Como não tenho rigorosa e absolutamente nada para fazer, tenho dedicado o meu "escasso" tempo a ver jogos de ténis na Eurosport, mais concretamente a ver o último gran slam da temporada_ o US Open. Para além dos próprios jogos_ que são por si só fenomenais_ o que me surpreende é a diversidade de público e o modo como se vive cada encontro. No caso americano é uma verdadeira "festa", um "arraial", o qual aposto que deve deixar os selectos adeptos ingleses com a testa a ferver, eles sempre tão contidos, tentando desesperadamente, em Wimbledon, conservar aquele glamour e aquela classe que o ténis, como desporo dito de "elites", sempre teve e sempre continuará a ter. Neste sentido, o choque é brutal quando, saídos do grand slam inglês, nos confrontamos com a exuberância festiva americana: ele é música no meio dos jogos, claques furiosas_ mas, contudo, saudáveis_ , equipamentos espalhafatosos, é um misto de cor, som, bolas, raquetes, gritos, suor que escapa aquela entediante_ mas distinta_ monotonia branca e contida de Wimbledon. É sem dúvida símbolo da evolução do ténis e da sua difusão o facto de ser celebrado de forma tão distinta nestes dois países. O melting pot americano contrasta vivamente com pura raça inglesa, e no meio pode dizer-se que fica Roland Garros, num misto de fúria meridional com requinte de quem muito sabe e de quem muito já viu. Ténis? Ténis vê-se em todos e do melhor: é só uma questão de superfície e de enquadramento_ o meu seria, sem a menor dúvida, os arranha-céus espelhados de Nova Iorque e o hard court do Arthur Ashe Stadium, com uma passagem pelo Festival de Cinema de Nova Iorque que também por esta altura se realiza.

É de família...


Depois do magnífico "America will pray for you", de George Bush, é a vez da sua mãe, Barbara Bush afirmar, aquando da sua visitinha turística a New Orleans:

"Everyone is so overwhelmed by the hospitality. And so many of the people in the arena here, you know, were underprivileged anyway, so this, this is working very well for them"

quarta-feira, setembro 07, 2005

Guerra Fria

Não é comum falar-se sobre desporto neste blog, mas há um acontecimento que julgo incontornável neste momento: a "Guerra Fria" que se trava entre as selecções Portuguesa e Russa devido à vingança que os Russos tencionam levar a cabo por derrotas anteriores contra Portugal, pela amizade entre Scolari e o treinador do Dínamo de Moscovo e pelas declarações de Maniche.
Ora, isto tudo é, a meu ver, ridículo. Sentem-se muitas "sensibilidades" tanto de um lado como de outro e, dentro de pouco tempo talvez teremos talvez mísseis apontados aos estádios do Euro 2004. Isto tudo por causa de futebol...:P

A selecção nacional, pela voz de Luiz Felipe Scolari, poderá ter aberto uma "guerra diplomática" entre Portugal e Rússia, na véspera de um jogo que, em caso de vitória, colocará os portugueses a apenas um ponto do Mundial 2006. "O regime de autoritarismo já acabou em todo o mundo, é bom que entendam isso. Ou será que aqui, afinal, não mudou nada!" Irritado, muito irritado mesmo, o seleccionador comentava o clima criado pelas interpretações que a imprensa local fez sobre a visita do seu compatriota Ivo Wortmann (treinador do Dínamo de Moscovo) ao hotel onde está instalada a selecção. A que se juntaram as recentes declarações de Maniche, quando ousou dizer que não gostava do país e do campeonato.
(...)
A selecção está consciente de que o clima no estádio do Lokomotiv será bem adverso. E se Maniche, como disse Costinha, será "protegido por todo o grupo de alguma hostilidade que surja", a equipa portuguesa no seu todo terá de evidenciar grande dose de ambição para se defender da "armada" russa, cujo discurso integra nos mais variados tons a cor da vingança. "Estamos à vossa espera há 327 dias." A manchete do mais importante jornal desportivo - Sovietic Sport - é o espelho fiel do sentimento de quem tem bem presente na memória o último jogo entre as duas selecções, quando Portugal humilhou a Rússia (7-1).
(...)
Hoje, em Moscovo, se verá se a guerra de palavras terminará em paz para os portugueses ou se a novela épica do escritor russo Leon Tolstoi, tem final idêntico.

E nem por acaso...

a mesa de cafe

Achei um texto no "Causa Nossa" que desmistifica a questão do anti-bushismo e do anti-americanismo barato...

«(...) Estou farto de ver comentários no sentido de desculpabilizar a administração Bush do que se passou em Nova Orleães. Trata-se, para mim, de política consciente, donde, responsável e responsabilizável, coerente e sistemática:
- Em 2001, a FEMA [agência federal para as emergências] alertou que um furacão atingindo NO era um dos 3 mais prováveis desastres nos EUA, juntamente com um ataque terrorrista a NY. A administração Bush cortou os fundos para o controle de cheias de NO em 44%.
- Há 1 ano, o U.S. Army Corps of Engineers propôs fazer um estudo sobre como proteger New Orleans de um furacão catastrófico. A administração Bush ordenou que o estudo não fosse feito.
- Em 2004, a administração Bush cortou os fundos pedidos por NO para proteger a cidade das águas do lago Pontchartrain em mais de 80%.
A decisão da administração Bush de anular em 2003 a política iniciada em 1990 por Bush pai e reafirmada por Clinton de proteger os pântanos que cercam a cidade não pode ser ignorada: mais de 80 mil km quadrados foram desprotegidos e entregues a urbanizadores. Cada 2 milhas de pântano reduz a altura das águas das cheias em 15 cm. Em resposta, um estudo de 2004 previu que NO seria devastada por furacões de nível 2 ou 3. O comentário da Casa Branca foi: "highly questionable" e gabaram-se: "Everybody loves what we're doing." (...)»
Antonio Inglês (http://ribatejo.blogspot.com)

Afinal, Bush isn't that bad...

Parece-me, infelizmente, que o bom senso exagerado semeou uma paz pró-conservadora na blogosfera, que motivou algumas pessoas a escreverem textos sobre abrangentes definições de “americanismo”, “anti-americanismo”, “anti-Bush”, etc., etc., etc.
Entenda-se uma coisa: eu não adiro ao anti-americanismo; parece-me uma corrente fundada em estereótipos e preconceitos de inferioridade. Quem me conhece, aliás, sabe como admiro os E.U.A., um país com uma diversidade cultural, com um cenário natural e urbano de embasbacar. Quem me conhece sabe, aliás, como admiro uma boa parte da população americana, tal como sinto um tremendo repúdio pela forma irracional (emotiva…?) como outra parte vê problemas tão amplos como o terrorismo.
Agora, o que me parece inovador, é esta corrente pró-Bush que aceita o sermão oco que este apregoa desde que abriu a boca, há uma semana. “América will pray for you” – pessoas isoladas em cima de telhados, pânicos, pilhagens: o que a América precisava era de alguém que rezasse. Mas isto é só a ponta do iceberg; o que realmente importa aqui é a transparência dos factos: havia legislação que previa reparações nos diques. A administração Bush não aprovou, o governador não reparou. Falhou. Falharam Ponto final. Alguma dúvida?

Depois, há sempre quem se surpreenda de aquando o Tsunami, ninguém tenha falado da actual situação política, dos meios disponíveis, etc, por exemplo, na Tailândia. Eu acho estas comparações exímias: afinal, estamos só a comparar uma potência mundial com um país subdesenvolvido. Mas não parece que isso faça muita diferença…Pelo menos, aos reis do bom senso…

"Olhe que não Dr.ª, olhe que não..."

Não sei quem é que a actual candidata do CDS-PP, Maria José Nogueira Pinto, me faz lembrar: se a Super Tia Herman José, e o seu “SOS Chique”, ou se a acabada Lili Caneças. Provavelmente, situa-se algo entre as duas.
Assisti com atenção a parte do debate entre esta Senhora (com “S” grande) e o candidato do CDU, Ruben de Carvalho. Devo dizer que me ri com o ar pançudo com que ambos confrontavam estratégias: Maria José Nogueira Pinto (Eu, Maria José Nogueira Pinto isto, eu Maria José Nogueira Pinto aquilo) dizia, como se estivesse a reprimir uma miúdo indisciplinado: “É assim: acabar com o S. Jorge é um erroooo!”; ao que o pobre do homem, como se estivesse a falar com a tia avó, retorquia: “Olhe que não, Dr.ª Maria José Nogueira Pinto, olhe que não!”. “Ó Dr.ª Maria José Nogueira Pinto patati, ó Dr.ª Maria José Nogueira Pinto patátá”.
Depois, ela continuava, com o seu loiro de Evita Perón: “Tenho pena que esteja sozinha nesta luta...”. Mas imediatamente prosseguia, agora com um ar de compromisso solene: “Eu, Maria José Nogueira Pinto, (suspeito que me vai ser impossível esquecer este nome no próximo decénio), farei o que me for possível para melhorar a vida de “Lesboa”...”.Penso que será ainda útil acrescentar que esta senhora não irá fazer campanha em mercados nem feiras. Como diz o Herman, será só na Cartier. Em Nova Iorque.

terça-feira, setembro 06, 2005

Viajar

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim
E da ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa

Festa do Avante


Fui à Festa do Avante pela primeira vez e gostei muito.

Um espaço enorme, organizado, para todo o tipo de gente (não apenas para comunistas), com todo o tipo de eventos. Gostei principalmente da variedade que oferecia. Dá para aproveitar a festa de muitas formas e acho que é aí que está o seu valor, bem como no espírito único que inunda a Quinta da Atalaia durante esses três dias.

De facto, encontra-se um pouco de tudo: comunistas, não-comunistas, apolíticos, pessoas conhecidas, ilustres desconhecidos, crianças, jovens, adultos, idosos, casais, grupos de amigos, pessoas sozinhas. De igual modo, existe todo um conjunto de elementos de interesse para todos estes visitantes. Há política, como é óbvio, há cultura, há música em vários palcos em simultâneo (conhecida, desconhecida, amadora, jazz, blues, rock, hip-hop, tradicional…) e teatro, há compras (na feira da ladra, feiras do livro e do disco, bancas com produtos regionais e de vários países…), há gastronomia (de cada distrito do nosso país, de países representados no espaço internacional…), há desporto (slide, a corrida da festa, escalada, campos de futebol), há convívio. Enfim, como comecei por dizer, há um pouco de tudo.

Os meus espaços preferidos foram o Espaço Internacional e o Avanteatro (embora neste não tenha estado tanto tempo como gostaria). Para mim, a Festa apenas teve um problema: havia demasiadas coisas com interesse para conseguir ir a todas e tive pena de ter de escolher entre elas.

Por fim, acho que não seria má ideia para quem nunca foi considerar uma ida para o próximo ano, sem preconceitos relativamente ao facto de ser uma festa organizada pelo PCP.

Divagando pela Economia

a mesa de cafe

Portugal atravessa uma grave crise económica e moral. Vou riscar este começo, porque já umas dezenas de crónicas começaram assim. Recomecemos, portanto:
Portugal é um país que, como toda a gente sabe, está a anos de algumas coisas, e a séculos de outras. Está a anos de conseguir uma OTA e um T.G.V., a séculos de ter população e políticos que entendam a sua necessidade, para que Portugal se integre numa economia de mercado; para que o projecto de uma social-democracia se concretize e se assegure a longo prazo.
As minhas fracas luzes de economia poderiam degenerar numa aceitação de um discurso que resuma o equilíbrio e o crescimento económico a uma conjugação de aumentos e decréscimos de impostos com a redução do peso do Estado. Mas, felizmente, penso que é possível ver uma luzinha ao fundo deste escuro túnel que nos é impingido. Mas, obviamente, essa fraca luz só se tornará em Sol, quando pararmos de tentar iluminar a gruta com lâmpadas: porque desta forma, viveremos eternamente a assistir ao desgastante fenómeno que é o de assistirmos a uma lâmpada que se acende enquanto outra se apaga. Perdoem-me o discurso metafórico, mas passo a explicar:
Parece-me haver duas maneiras de ver a social-democracia em Portugal: a que tende a ser neo-liberal/ conservadora e a que tende a ser socialista/ trotskista/ marxista. A que tende a ser neo-liberal pensa que o caminho passa pelo aniquilamento do Estado-Providência; a que tende a rumar para o lado inverso acha que o desafio reside precisamente aí – não no aniquilamento deste, mas na conjugação deste com a Economia (que é cada vez mais de mercado). É para aí que tende o esforço, por exemplo, deste Governo, mas que será inglório enquanto houver quem queira fundir as lâmpadas. Eu sei que estão fartos deste discurso das lâmpadas, mas vou tentar, uma vez mais, clarificar:
Portugal falhou os alicerces da social-democracia e do Estado-Providência desde a 1ª República; falhou a já tardia industrialização, com o fracasso da política industrializadora setembrista; falhou a constituição de um sólido grupo empresarial, de uma sociedade dinâmica e investidora, que falhou, por sua vez, pela não constituição de poderosas instituições de crédito. Falhámos, portanto, em tudo, e parece que não contentes, queremos continuar a falhar.
Agora explico como é que preveniremos essa falha, e o porquê de essa prevenção ser um grande e trabalhoso desafio, que ultrapassa défices orçamentais. Agora explico o porquê dos investimentos corriqueiramente apelidados de “faraónicos” serem meras peças do puzzle:
É sabido que o PEC tem, como objectivo, a estabilidade de preços, juntamente com o tratado de Maastricht – ambos se completam na tarefa legal que é concretizar esse mesmo objectivo. Mas, está provado que estão a falhar redondamente, amplificando as assimetrias dentro da própria U.E. e, ao que se sabe, enfraquecendo os Estados-maiores que, como todos, fraquejam à medida que o preço do petróleo sobe. Caso vos tenha falhado este pormenor, o petróleo é, sim, e será, o motor de uma Economia Global. Pelo menos, enquanto as energias alternativas não se afirmarem.
Com efeito, Portugal precisa de crescer mais que os outros, escapando aos becos em que se encurrala – vejamos: mais I.V.A., menos investimento. A medida dá “uma no cravo”, porque surge como forma de combate ao défice, e outra “na ferradura”, porque não combate verdadeiramente o problema. Assim, um leigo como eu, chega à seguinte conclusão: que para assegurar o Estado-Providência, é preciso que haja como. E, a meu ver, só há uma maneira: aumentando o peso do Banco Europeu de Investimentos, tornando-o peça fulcral na correcção das assimetrias existentes entre Estados Maiores e Menores (ou seja, possibilitando este investimentos nestes Estados Menores); conseguindo obras que fomentem a Indústria (sim, essas tais “faraónicas”); lutando cada vez mais por uma verdadeira União Política (na qual o Tratado Constitucional terá, obviamente, um grande papel) entre os Estados Membros...
Em suma, construindo uma Europa igualitária, que não deixe para trás o Estado-Providência, que não é necessariamente um fardo (vejamos o caso, por exemplo, da Finlândia), com sacrifícios que partem de todos nós – e, obviamente, com a vontade de todos os governantes que ambicionem uma Europa justa, solidária, de empregos, de oportunidades, de futuro…
Este texto chama-se "Divagando pela Economia": foi o que fiz mas, entenda-se, numa frágil embarcação...

domingo, setembro 04, 2005

A sensação de haver Governo...

a mesa de cafe

Ao contrário do que a oposição tenta fazer, baralhando as cartas e distribuindo demagogias, parece-me importante realçar o bom trabalho da actual ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, pela eficácia que possibilitou a concretização de medidas importantíssimas na reforma do Ensino, como a que permite a professores colocados leccionar durante 3 a 4 anos no mesmo estabelecimento de ensino. Ao contrário do que aconteceu o ano passado, a lista das colocações de professores saiu um dia antes do termo do prazo previsto. Parece-me que temos um Governo voltado para a Educação, que se apercebe do quão fulcral esta é na formação de pessoal qualificado, que consiga competir e afirmar-se no mercado de trabalho; parece-me que temos um Governo que percebe que a Economia não se resume a conceitos…

Os meios afinal são abstractos, tal como o cérebro de Bush...

a mesa de cafe

Surpreende-me a forma como a super potência mundial, a referência, o modelo de organização federal, estatal e social que são os E.U.A. não conseguem reagir exemplarmente a uma catástrofe que, ainda mais grave, foi prevista a tempo, e chegou a uma cidade que tinha (ou deveria ter) meios não para prevenir os estragos na sua totalidade mas, pelo menos, para que os estragos fossem bem menores.
A meu ver, e não recorrendo a anti-americanismos gratuitos, parece-me que Bush, uma vez mais, não foi feliz nas suas intervenções. Pelo menos na primeira, em que assistimos a um presidente desinformado, baralhado e atónito, que proferia um discurso de uma vacuidade quase assustadora. O remate de todo este foi, aliás, uma prova das prioridades ideológicas a que Bush dedica tanta atenção: a América e o mundo não esperavam ouvir que a população rezava, visto que, felizmente, a sociedade americana tem uma atitude louvável neste tipo de catástrofes: imediatamente disponibiliza ajuda humanitária e financeira, mostra solidariedade, e não daquela que se previa num país cujas eleições confirmaram um posicionamento de mais de metade da população num sector conservador de direita – ajuda financeira de milhares de dólares choveu, não cobertores velhos, comidos pelas traças. Mas, como dizia, o que a América e o mundo não ouviram foi o porquê de a legislação que previa reparações nos diques não foi aprovada. O que a América e o mundo não viram foi a mobilização de meios esperada, no momento. Aquilo a que a América e o mundo assistiram foi a um cenário semelhante ao do Tsunami, num país como a Tailândia. E, a meu ver, isto é preocupante, porque, afinal, a população dos E.U.A. não pode dormir tão descansada como isso – como diz MRS, “se o Estado não serve de forma funcional este tipo de incidentes, então, para que serve?”: o problema é exactamente esse: o Estado de Bush não serve para nada. Para nada…

P.S.: Há uma imagem que passou nas televisões, de um homem que toca saxofone no meio do caos que se vive no meio das ruas. Se alguém a conseguir, por favor diga...

sábado, setembro 03, 2005

8 Mile

Um amigo meu disse-me há uns tempos que visse o “8 Mile” para perceber o porquê de ele não gostar de hip-hop. Confesso que, na altura, o conselho nem me pareceu estranho, porque não esperava muito (para não dizer que não esperava mesmo nada) de um filme feito de “Eminem” e “niggers” – pensei num filme-biografia do conhecido rapper e nas suas dificuldades de aceitação num meio dominado essencialmente por negros, que detêm por herança a qualidade de rappers.
Pois bem, devo dizer que a minha teoria em relação a este género de filmes “low-profile” se mantém. Não há nada como baixas expectativas para fazerem com que um filme nos surpreenda. “8 Mile” foi o caso. O que vi não foi um filme sobre o Eminem, este não existe sequer como ele próprio, e vi a realidade dos subúrbios de Detroit, habitados maioritariamente por “niggas”, que dão, tal como os brasileiros, um espírito diferente a uma realidade urbana esmagadora.
O filme apoia-se em dois aspectos: hip-hop e subúrbios. Hip-hop como banda sonora, subúrbios como cenário. Jimmy “B-rabbit” é um rapper que sonha com uma carreira no mundo da música que lhe permita uma vida digna, que nunca conseguiu obter junto da mãe, desequilibrada, incapaz de gerir uma casa e de tratar bem dos filhos, ao mesmo tempo que vive um quotidiano numa fábrica metalúrgica, namora e escreve letras para arrasar nas “fights”. É obvio que o filme contém aspectos da vida de Eminem, principalmente as imagens de Detroit e a relação com a mãe. No entanto, consegue-se perfeitamente perceber que o esforço para o qual todo o filme converge é o de não fazer um filme sobre este – fazer antes um filme que retrate com grandeza (os planos dos “clubs”, as imagens da decadente Detroit) a vida das classes baixas americanas, em autênticas selvas urbanas como Detroit. O sonho de todos os jovens, de conseguirem “one shot, one opportunity”. “8 Mile” é um bom filme, que nunca pode ser visto com opiniões pré-concebidas. Uma coisa é não gostar de hip-hop. Outra, até, é não gostar de Eminem. Outra bem diferente é não gostar deste filme. Eminem prova, para além das suas qualidade como produtor e como músico, a sua versatilidade enquanto artista. Na minha opinião, não se poderia esperar mais do seu papel – este conseguiu ser credível: tal como o próprio diz no “Making of”, permitiu-lhe reviver uma realidade que deixou há 5 anos, quando começou a ser mundialmente conhecido.
Para concluir, queria apenas dizer a todos os que têm dúvidas quanto a alguma vez virem a ver este filme (na minha opinião, são perfeitamente legítimas), que simplesmente as tirem, e vejam. Garanto que não se vão arrepender…

quinta-feira, setembro 01, 2005

Playlist, Agosto de 2005

a mesa de cafe

1. The Remedy
Jason Mraz
2. Wordplay
Jason Mraz
3. Baby Blue
The Warlocks
4. Love Love Love
Tristan Prettyman
5. Meet Virginia
Train
6. Kill The Messenger
Jack's Mannequin
7. Holiday From Real
Jack's Mannequin
8. Para Mim Tanto Me Faz
D'ZRT
9. Hip Hop (Sou Eu, És tu)
Boss Ac
10. Gone Going (Feat. Jack Johnson)
Black Eyed Peas
11. Free Loop
Daniel Powter
12. Title And Registration
Death Cab For Cutie
13. Soul Meets Body
Death Cab For Cutie
14. Scar
Missy Higgins
15. Ten Days
Missy Higgins
16. Just The Girl
The Click Five
17. La Tortura
Shakira y Alejandro Sanz
18. Queremos Paz
Gotan Project
19. Una Música Brutal
Gotan Project
20. La Cruz del Sur
Gotan Project

Uma playlist de Verão. Comercial e agitada. Faltam aqui bastantes músicas, mas achei que já estava suficientemente grande. Se quiserem, dêem as vossas...

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