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quinta-feira, abril 28, 2005

"Queda"

Já tive o privilégio de ver a "Queda" e adorei! O que mais me marcou foi a inocência de certos "membros activos" desta guerra, pessoas cuja inocência e ingenuidade deixaram criar ilusões românticas acerca de uma personagem tão cruel que custa a acreditar que tenha sequer um lado humano. De facto é tocante a inocência da secretária de Hitler, uma jovem por ele tão adorada, bem como o caso do rapaz que luta pelo nacional – socialismo com a convicção profunda de que está a lutar pela pátria... Uma pátria ignorada pelo seu Führer...
Por outro lado, o caso obsessivo de Frau Goebbels que ama tanto o nazismo que pensa que é melhor a morte do que a vida do pós – Hitler! Chega ao ponto de decidir irremediavelmente o futuro dos seus seis filhos.
A personagem de Hitler, exemplarmente interpretada por Bruno Ganz, é também surpreendente e provoca aquilo que o próprio se recusava a sentir por achar contrário à natureza: compaixão! Nos seus últimos tempos, de facto, este monstro não passou de um velho senil que ainda acreditava na prosperidade do seu regime… Um velho rabugento e caprichoso do qual temos pena! Isto porque, perante a sua decadência, não conseguiu admitir os seus erros, pensou sempre que fizera o melhor: prova evidente da deturpação mental de que sofria.
Este filme choca, principalmente pelo facto de a deformação mental de Hitler se ter contagiado a uma grande quantidade de gente e por muitos dos que agora acusamos de colaboradores deste terem sido simples sonhadores românticos e ingénuos que acreditavam na legitimidade do ideal nazi e aos quais muita coisa foi omitida! Mas isto, como todos sabemos, teve uma única razão de ser: a elevada inteligência deste “homem” e a sua capacidade de argumentação! O que nos leva a reflectir acerca do poder e da inteligência ao serviço de ideais deturpadíssimos. Como é que alguém com tantas capacidades intelectuais e oratórias foi tão estúpido e cruel e ao mesmo tempo, tão utópico (no mau sentido, claro)?

quarta-feira, abril 27, 2005

"About a boy"

a mesa de cafe

Ainda há comédias que me fazem rir. Pensei que não haveria, depois do bombardeamento de “American Pies” e afins. Mas afinal estava enganado. Ainda há.
“About a boy” mudou consideravelmente a minha opinião acerca de Hugh Grant. Habituado a vê-lo nos seus filmes pastilha elástica, como o Nothing Hill ou o “Diário de Bridget Jones” (este último, por acaso, até considero um filme bem aceitável), conseguiu pôr-me a rir com a sua prestação neste último.
Will é o homem que qualquer homem (pelo menos pretensioso) sonha ser. Tem dinheiro, tem mulheres, e tem um bom carro. Como se não lhe bastasse não tem nada para fazer da vida, porque vive dos direitos de uma canção de natal escrita pelo pai. Mas é precisamente esta faceta de bon vivant que lhe vai fazer sentir uma vida…monótona. Até ao dia em que conhece Marcus, um puto que vive com uma mãe solteira totalmente desequilibrada, hippie por convicção, que o obriga a cantar “O Killing me softly” em frente a um piano, esperando que o filho o faça para libertar sentimentos que tenha. Mas como Will diz, não são os sentimentos dele que liberta, são os da mãe. O que é certo é que a própria mãe se apercebe disso, e também do porquê do filho ser um pouco…estranho. É obvio que a crueldade infantil também joga muito a favor disto.
Mas perguntar-se-ão como é que um trintão que passa o dia em frente à T.V. pode conhecer um puto destes…é que o gajo adopta simplesmente a estratégia melhor que já vi até hoje para engatar mulheres – numa reunião de pais solteiros. Estas cenas provocam obviamente o riso. Não um riso descontrolado e histérico, como num dos filmes em que falei. Mas sim um riso contido, perante um humor tão negro e brilhante. Esse é outro ponto que também joga muito a favor do filme: as partes em que alterna entre momentos de drama e de comédia, coisa que foi muito bem conseguida.
Resumindo e concluindo, é um bom filme. Recomendo vivamente (claro que pode haver quem discorde – só é legitimo ver o cinema de David Lynch/ o outro é simplesmente para as massas - e, portanto, não se deve gostar do que as massas gostam. Porque é mau, lá está).
A propósito, penso que o DVD desceu bastante de preço e não, não é por ser mau – se assim fosse, o cinema de Fellini não custava uma ninharia….

segunda-feira, abril 25, 2005

Optimismo...

"A circunstância de haver uma generosa maioria de portugueses para quem o 25 de Abril já não é mais do que um dia em que não se trabalha significa que o regime chegou à maturidade (...)"
Pedro Rolo Duarte, Diário de Notícias, 25-04-2005

No sábado fui ver "Der Untengang", de Oliver Hirschbiegel, traduzido em português como "A queda" (do III Reich) e não há dúvida que se trata de um filme sui generis sobre a figura de Hitler. As mais de 2 horas 30 que o filme dura correspondem a um curto espaço de tempo, como se praticamente não houvesse elipses ou sumários temporais: é como se fosse em directo. Ou seja, trata-se da queda do III reich em directo, segundo por segundo, ao vivo e a cores. A degradação que a personagem de Hitler_ interpretado superiormente por Bruno Ganz_ sofre ao longo dessas duas horas é brutal, mas é uma degradação sobretudo do chefe de estado e não do homem. Esse mantém-se mais ou menos constante. A forma como trata as pessoas com as quais estabelece elos pessoais é totalmente distinta do modo como se dirige aos seus generais. Na verdade, não há uma única cena do filme em que Hitler se descontrole enquanto marido, amigo ou protector. Muito pelo contrário: com a sua mulher, Eva Braun, com a secretária e protegida Traudl Junge ou com os filhos e mulher de Goebbels (e com o próprio Goebbels) o seu jeito é sempre carinhoso, terno mesmo. E parece verdadeiro. A raiva incontida contra os judeus, contra o povo alemão_ que não se importa de sacrificar_ , contra aqueles que o abandonam no momento da queda, a mão cada vez mais debilitada pelo estado avançado da doença (Parkinson), a insistência e a obsessão em não aceitar a derrota e a perda inevitável de Berlim, a demência, a irrascibilidade, isso Hirschbiegel reserva-nos para os momentos do Hitler "fuhrer". A pergunta que fica é como pode este Hitler terno mandar matar mais de 6 milhões de judeus. E a resposta está na hibridez do seu comportamento, uma hibridez que o coloca simultaneamente dos dois lados da barricada. Homem-monstro, Hitler não deixa de ser homem. Porque só sendo homem, conseguiu levar os outros homens a aceitar e a apoiar o seu comportamento. E, portanto, nem eles, nem ele podem deixar de ser responsáveis.

Post-it

a mesa de cafe

Só para não passar em branco (como por culpa de todos) parece passar cada vez mais…
Hoje faz 31 anos que Portugal se tornou um país livre, e terminaram os 48 anos de golpes e queimaduras (até a nível cultural) que ainda hoje não sararam…
Rio-me cada vez que penso em algumas pessoas, muito escondidas, muito angustiadas, enfiadas nas suas casas, que lamentam a tragédia…ou então das Pauletes (porque não? Também as há…!) - mais as da velha guarda - radiantes com a revolução…

Kevin Bacon é "O Condenado"

a mesa de cafe

Fui ver “O Condenado”, com Kevin Bacon, aos novíssimos cinemas “Dolce Vita”. Uma Dolce miopia é o que devo ter, por não conseguir ver aquele ecrã, que ocupava 2/3 da parede, sobrando duas incómodas barras pretas – desiludiu-me um pouco (mas ao mesmo tempo o entusiasmo por entrar num cinema em condições em Coimbra afogou a desilusão, de quem suspirou durante anos por uma boa sala de Blockbusters) . A sala estava bastante bem, com cadeiras confortáveis e altas, mas que ao mesmo tempo não incomodavam por as bancadas estarem bem niveladas.
Com efeito, e voltando ao que realmente interessa, não posso dizer que tenha adorado o filme. Kevin Bacon faz um bom papel, e a bonita actriz que contracena com ele, Kyra Sedgwick, faz igualmente bem de mulher áspera e ao mesmo tempo altamente lúcida.
O filme aborda uma temática repugnante (porque não deixa de o ser), que é a pedofilia. Walter é um pedófilo que passou 12 anos preso por abusos de raparigas menores, e que ao fim desse tempo todo apercebe-se que não consegue curar a doença de que sofre (eu mantenho a minha lógica – se os pedófilos são curados junto de psiquiatras/terapeutas são doentes). Um dia conhece, no autocarro, uma rapariga de 12 anos que persegue, com o intuito de violar…até que descobre que essa mesma menina havia sido violada pelo próprio pai, e se apercebe da dor e da vergonha esmagadoras que isso provoca na criança. Do sofrimento sob todos os níveis. Aí, e também com a ajuda de uma relação normal que mantém com Vickie, uma colega de trabalho numa serração (lugar inóspito para mulheres), apercebe-se que também está nas mãos dele mudar esse próprio destino, que considera inalterável. Na verdade, os outros esforços que realiza no intuito de mudar mostram-se inglórios, pela constante pressão que o agente que o vigia exerce sobre ele, entrando em sua casa quando bem entende, por suspeitas infundadas, demolindo completamente a máxima innocent until proven guilty. O dedo inquisitório do agente provocará uma pressão e sofrimento enormes sobre “o condenado”, que por uma possível catarse e tentativa de descompressão observa um homem que se aproxima regularmente do infantário, com os mesmos intuitos.
“O condenado” é, pela maneira como é filmado, um filme que dá pena. A certa altura deixamos de sentir aquela ira que tão habitualmente sentimos por criminosos deste género, e damos por nós a querer que, de facto, este se cure. É igualmente útil para quem poderá um dia contactar com este género de pessoas (seja em tribunais ou psiquiatrias) poder testar a sua firmeza e imparcialidade, e assim ver se poderá ou não desempenhar uma profissão destas com profissionalismo.
Não vi o “Monster’s ball”, do mesmo realizador, mas também mo elogiaram. É uma questão de ter paciência…A lista de filmes prioritários que tenho neste momento para ver é interminável…
E pronto, se puderem, dêem então uma olhadela no filme…

domingo, abril 24, 2005

Já percebemos que este governo não gosta muito de falar, mas, uma vez que assim é, podia dizer alguma coisa quando efectivamente se decide a dirigir-nos a palavra. O que não se passou com o anúncio do "choque tecnológico". Quem não sabia sequer o que isso era ficou sem saber se se tratava de um choque entre carrinhos de choque ou algo de mais sério. Entre "medidas transversais do choque tecnológico" e "haverá um momento em que vai ser anunciado um conjunto de medidas destinadas concretamente a aumentar a produtividade", ou ainda "temos medidas a anunciar muito proximamente", perguntamos de imediato: mas que medidas são essas? Ou então: mas se nós já sabíamos que vocês tinham medidas porque é que vêm gastar o vosso tempo (e o nosso?) a dizer que têm medidas? Quem ouviu ficou certamente a pensar que o choque tecnológico é um choque entre carrinhos de choque, mas com medidas ainda por anunciar.

Enquanto o chefe está fora...

Ontem à tarde os comentadores de política faziam uma analogia entre a situação de Marques Mendes/Telmo Correia e Luís Filipe Menezes/ Ribeiro e Castro ( sem querer evidentemente estabelecer nenhuma comparação de mérito pessoal), dizendo que, tal como no Congresso do PSD ao qual Marques Mendes já tinha chegado como vencedor e do qual saiu nessa qualidade mas com uma margem muito menor do que se esperava, também Telmo Correia, vencedor antecipado pelo apoio das distritais, venceria a liderança, mas não sem antes passar por um pequeno susto. Ora, o susto foi tão grande que acabou por se tornar realidade: José Ribeiro e Castro venceu com uma moção_ "Portugal 2009"_ por muitos considerada "brilhante". Telmo Correia perdeu mesmo com o apoio das distritais. Mas perdeu, não só porque Ribeiro e Castro, com justiça e fundamento ou não, arrasou com o seu discurso de candidatura_ num estilo muito "tanto podia estar cá, como a fazer qualquer outra coisa inclusivé não estar a fazer nada"_ mas porque o discurso do líder parlamentar não agradou a ninguém_ só àqueles que de certeza que votariam nele. Deu ideia que as metáforas saíam a cuspo. Ou que não precisavam de sair visto que Telmo se assumia como alguém que "sabia tocar a orquestra" e que sabia que os outros sabiam que ele sabia tocá-la. Deu ideia que Telmo estava ali como o homem comum que dirigia o exército enquanto Portas gozava o seu ano de "sabática". Não convenceu. Não se mostrou disposto a assumir que estava ali para mudar o ciclo político, antes para continuá-lo num jeito mais "low-profile". Tudo isto sempre em comparação com Portas. Ao invés, Ribeiro e Castro discursou com um ar de quem estava a ensaiar o monólogo num corredor enquanto comia uma maçã, usou bem o trunfo do retorno às origens enquanto CDS e não como PP, e com meia dúzia de ideias e outros chavões, como as directas, levantou o público e a indefinição no resultado. Telmo Correia definiu-o e confirmou-o. E o CDS mostrou que não precisa de "homens comuns" que, como não têm as qualidades do mestre Portas, dão a mão à palmatória e dizem que querem trabalhar em conjunto e em equipa enquanto o chefe está fora.

sábado, abril 23, 2005

No comments...

Apareceu-me um popup que me chamou a atenção...
Espreitem!
http://www.cafepress.com/shop/religion/browse/Ntt-ratzinger_N-0_att-ratzfanclub_No-1_Ntk-All_D-ratzinger_Nao-1_CMP-BAC%3dmd

quinta-feira, abril 21, 2005

Só mais uma polémica...

"O Congresso espanhol aprovou hoje a modificação do código civil de forma a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo."
in Publico.pt
Em Espanha tudo se prepara para legalizar o casamento entre homossexuais. Na minha opinião isso é ótimo do ponto de vista da evolução das mentalidades na direcção da tolerância e do fim das discriminações. Agora, há um outro aspecto de que já se fala tembém e que, no meu ponto de vista, é completamente diferente: a questão da adopção de crianças por casais homossexuais.
Pode parecer contraditório estar a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo e contra a adopção de crianças por eles, mas acho que há uma grande diferença entre os dois. O matrimónio é a apresentação de um casal à comunidade em que vive, o assumir de uma união... E se se pode fazer isso sem papéis, há quem prefira formalizar a situação e casar-se, logo, não vejo porquê proibir esse direito a um casal de homens ou mulheres. Pelo contrário, a adopção já tem efeitos sobre uma terceira pessoa... Uma criança, ainda por cima! E está mais que provado que, para garantir uma educação e um crecimento equilibrados, qualquer criança tem de ter uma referência masculina e uma feminina. Como tal, ter dois pais ou duas mães, não é a melhor maneira de uma criança se estruturar emocionalmente.

quarta-feira, abril 20, 2005


Hoje fui ver o filme de que tinha falado anteriormente, o "Hotel Rwanda" e posso garantir que não é como a comum das películas... Sai-se da sala e não se comenta a qualidade da construção do argumento, nem a interpretação do elenco, nem nada que tenha a ver com uma opinião cinematográfica habitual! Não... Fica-se com uma sensação de profunda injustiça pois o que está no ecran é o retrato do que se passou há 11 anos e foi tão cruelmente ignorado... Sim, porque, como o Rwanda não tinha grande representatividade na ONU, os EUA, a França e a Inglaterra ignoraram todos os pedidos de ajuda! Há imensa crueldade neste genocídio, aliás como em todos: há estupidez crónica nas razões, nas armas, nos meios, nas "soluções", na indiferença, no abandono de vítimas impotentes à sua sorte, em tudo!
É isto que fica… Uma noção de que somos uma cambada de parvos que não sabem reagir perante estas situações, pois não podemos tirar proveito próprio delas, nem nos afectam directamente… Temos mesmo uma deficiente e estúpida organização de valores e sentimentos!
Fica uma das passagens que mais me marcou: O gerente do Hotel Rwanda, que contribui para salvar centenas de vidas no meio daquele pesadelo, diz a um jornalista estrangeiro que está contente por este último ter conseguido imagens elucidativas da chacina no país de modo a que o Mundo veja o que se passa para poder actuar. Perante isto, o jornalista responde: Sim, o Mundo vai ver as imagens. As pessoas vão olhar para elas a meio do jantar e dizer «Ah… Que horror!» e depois vão baixar a cara e continuar a refeição sem fazer nada!
De facto, dizer é fácil, realizar é muito mais incómodo! Posted by Hello

La alta società Dolce Vita

a mesa de cafe

Ontem tive a oportunidade (ou o privilégio) de ir ver de perto a nossa nova superfície comercial (eu e mais uns 20000 coimbrinhas), o Dolce Vita, e houve ali qualquer coisa que não podia deixar de me saltar à vista.
Era preciso convite para entrar na dita festa, que parecia uma daquelas inaugurações de exposições de arte em Nova Iorque, ou numa cidade do género. Só que a única diferença é que em Nova Iorque existe, de facto, uma high society e uma high life. Aqui os VIPS têm aquele ar podre, de quem não tem onde cair morto, engravatados nos seus fatos com gravatas berrantes, com a mulher ao lado vestida de alface, e com o Porsche alugado estacionado uns metros atrás…
Assim, a festa adivinhava-se pelas grandes janelas de vidro; dezenas e dezenas de pessoas de aspecto boçalíssimo, a circularem maravilhadas pelos corredores, como se nunca tivessem visto coisa igual…O buffet, que se pretendia “chique”, parecia uma feira de enchidos, com lojas à frente e atrás. Contam ainda as pessoas de bom senso que se arranjaram normalmente para lá ir, que o discurso do “Amorim” foi completamente abafado pela multidão que selvaticamente emborcava copos e copos de champanhe, e mastigava de boca aberta croquetes e empadas…
A cobertura “jornalística” era de chorar a rir. Não sei se alguém se deu alguma vez ao trabalho de abrir um “Diário das Beiras” e experimentar ver a “cobertura” destes eventos conimbricenses…Normalmente aparecem nas páginas de economia, sempre em celebrações de aniversários de imobiliárias ou inaugurações de condomínios de luxo. As fotos e as pessoas parecem aqueles jornais das telenovelas, em que fabricam as notícias...Toda a gente com um ar mais que artificial, reparando-se mesmo que não são pessoas habituadas a tirarem fotografias para jornais ou revistas, sem saberem se devem rir ou manter um ar normal…
É por isso que eu adoro viver em Coimbra; por todas estas pessoas que ainda não perceberam o quão bárbaras são; para observar todo este novo-riquismo e rir durante horas…para ver esta gente completamente desorientada, com sotaque de aldeia, a esboçar um sorriso perante uma piada inteligente que possa ouvir…para me deliciar com aquelas expressões, com aqueles charutos…e ver as humilhações em público, as bebedeiras de Whisky…Tudo isto é uma fotografia que me custa a sair da cabeça, porque me faz lamentar imenso de pertencer a uma cidade em que as pessoas são assim…em que não há genuinidade, em que tudo foi comprado com intenção de superar o vizinho…
Tenho ainda pena de não ser um Eça de Queirós…que se maravilharia com estas “galas”, para as poder escrever, com aquele sentido de humor, com aquela construção de frases que deixam qualquer pessoa a rir. Pensei nisso, porque sinceramente quando olhava para aquilo só me lembrava do Dâmaso. É inacreditável como o português resiste ao tempo…e teima em se manter igual a si próprio…
Quanto ao concerto, apenas pude constatar duas coisas: que o Rui Veloso está completamente acabado, porque não tem voz e performance nenhuma em palco; e que a Sara Tavares canta estupidamente baixo, porque quem não abancou lá as 7 da tarde teve que ficar a 500m do palco, distância a que não se ouvia nada, apesar de haver colunas…Escusado será dizer que os americanos apanharam a pior seca da vida deles, e como diz a Mariana, já têm uma história para contar na América: o centro comercial mais pequeno que viram até hoje...
Emocionante, portanto.

terça-feira, abril 19, 2005

Bento XVI

Qual não foi o meu espanto quando me dizem HABEMUS PAPAM e que esse Papa era o cardeal Ratzinger…

Estava numa mesa de café e fiquei colada à cadeira. Deixei de ser católica devido ao crescente conservadorismo desta religião, que me afastou completamente e tenho de confessar que tinha uma certa esperança que deste conclave saísse um homem renovador que atraísse mais pessoas para o catolicismo. Mas, pelos vistos, os cardeais optaram por tentar salvar a igreja virando-se para dentro e não para fora. Ou estou muito enganada, ou, se este Papa tiver um pontificado longo, a igreja tem os dias contados tal como a conhecemos.

O que sei deste novo Papa é pouco mas suficientemente elucidativo… Sei que na época da difusão da Teologia da Libertação na América Latina, Ratzinger defendeu que todos os padres da área deviam ser excomungados, sei também que era o braço direito de João Paulo II, denunciando, por isso, que vai manter a posição contrária à utilização de métodos contraceptivos, ao fim do celibato dos padres, à emancipação da posição feminina da igreja e ao divórcio, enfim, a essas modernices. Por outro lado, há a questão da escolha do nome: Bento XVI… Pelo que sei, Bento XV foi um verdadeiro missionário, que espalhou a fé católica um pouco por todo o mundo, ora, tendo em conta o seu conservadorismo, conto mais com uma imposição do que com uma difusão… Posso estar enganada, mas vejo algum fundamentalismo naquela figura.

Espero que as minhas preocupações não tenham fundamento, nem as informações que tenho sejam certas, porque é triste ver algo que já está em decadência a enterrar-se ainda mais…

segunda-feira, abril 18, 2005

Dream of Californication

a mesa de cafe

Eu adoro os E.U.A. É um pais que sempre me fascinou, e continua a fascinar, nem que seja por ser politicamente incorrecto dizer que se gosta dele. Para uns seria Espanha, pelas suas planícies de Alentejo interminável…para outros Inglaterra, pelos ingleses ou pela Londres moderna e cosmopolita; para outros Alemanha, pela sua historia, pela sua cultura, pelos dois lados de Berlim; ou ainda França, por Paris, e por aquela musica que Yann Tiersen fez questão de dar a conhecer ao mundo, que em qualquer cartão de visita aparece como banda sonora. (nota - estou perfeitamente consciente que conhecer uma capital não é conhecer um país). Para mim é, e sempre será, a América, pelas praias de Miami, pelos edifícios de Nova Iorque, pelos cowboys do Texas…pelos montes do Alaska, pelos casinos doentios de Las Vegas ou…pela beleza da Califórnia, com as suas casas pré-fabricadas, pela sua San Francisco, pelos Blues de New Orleans... ou pela gente que nos é dada a conhecer em intercâmbios...
As descrições que me fizeram da gente da Califórnia foi uma coisa perfeitamente surreal – desde as casas dos imigrantes lá residentes, aos sofás cobertos com uma película de plástico…ao próprio à vontade com que lá se trocam números de telemóvel…enfim…um universo que não é o nosso, habitado por gente que não é a nossa…E que me dá vontade de bater no Rui Henriques Coimbra, jornalista do Expresso, que tem por aborrecido emprego viajar pelos Estados Unidos e escrever crónicas para o jornal sobre este.
Tivemos oportunidade de estabelecer contacto com estes americanos. Conheci dois, com quem falei mais, e que me surpreenderam. O primeiro, foi o Abdulah (deve ser assim que se escreve), um paquistanês cuja família vive nos E.U.A. há mais de 30 anos, e que me contou historias verdadeiramente mirabolantes, que quer ser bombeiro (com muito orgulho), que pratica Wrestling (mas modalidade olímpica), e que apesar de ser pouco comunicativo me pareceu ser impecável. A segunda, foi a Katie, que encontrei ontem no Tapas, e com quem estive a falar (eu e mais dois amigos) durante horas. Não há palavras para descrever esta americana. Falei tanto com ela que no dia seguinte já nem me lembrava se tinha estado a falar em inglês ou português (acho que nunca falei inglês tanto tempo na vida). Ouvi então da boca dela o que era não poder beber, não poder fumar, não poder sair…enfim, todas as restrições que são impostas aos jovens lá…Ela aproveitou, como é obvio, para beber o que nunca tinha bebido…E revelar-me que o seu melhor souvenir será uma garrafa de Absinto, bebida proibida na Califórnia. Acho que nunca falei com ninguém tão open minded na minha vida. Ainda por cima era gira…
Só espero que haja brevemente mais oportunidades de estabelecer contacto com mais americanos (claro que qualquer contacto com outra cultura é enriquecedor, seja ela qual for), porque é espectacular…Já durante o Euro o convívio entre portugueses e ingleses, alemães e etc. foi inacreditável…Será que existe alguma forma melhor de conhecer gente nova? E será que a Califórnia é assim tão má, como os Red Hot nos querem mostrar? E haverá mesmo mal em sermos realmente influenciados por esta cultura? Serão os Ramstein xenófobos?

Who knows...who knows...

domingo, abril 17, 2005

Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos

“Million Dollar Baby” é um filme conhecido pelo número de Óscares que obteve na última sessão. De facto, esse prémio é bem merecido. Fui ver o filme, mais por obrigação que por curiosidade…Por ser o vencedor de 7 Óscares, incluindo o de Melhor Filme… Mas saí da sala de cinema completamente atordoada, quer com a qualidade da realização (principalmente a componente da luz) e do elenco (Hillary Swank, Clint Eastwood e Morgan Freeman), quer com a história em si. Sem dúvida que este ano, o prémio da Academia foi merecido!

À partida, sabemos que se trata do caso de uma rapariga que tem de vencer todo o tipo de obstáculos para conseguir chegar a campeã de boxe. Para tal, conta com a ajuda de um treinador austero mas muito competente. Ora, apenas com esta ideia, o filme não dá grande vontade de ser visto… O que é omitido, é o desfecho da carreira desta pugilista que leva a grandes e profundos desafios tanto dela como do treinador…

Obviamente que não vou contar a história, senão ver o filme perderia interesse. É mesmo a não perder, aliás como quase todas as realizações de Clint Eastwood.

(http://milliondollarbabymovie.warnerbros.com)

Recebi hoje esta foto... Sem palavras! Posted by Hello

sábado, abril 16, 2005

Vasco Pulido Valente, um crítico com o qual muitas vezes não concordo, principalmente pela forma demasiado "ácida" como escreve. Contudo, quando fala em coisas que, de facto, não me agradam nada, essa acidez tem um doce sabor... Por exemplo, no que escreve no Público:

Segundo os melhores peritos, o PSD não percebeu o que lhe sucedeu, Pedro Santana Lopes não percebeu o que lhe sucedeu, Menezes não percebeu o que lhe sucedeu a ele e ao partido e António Borges não percebeu nada de nada.

quinta-feira, abril 14, 2005

Hotel Rwanda

Ao ver os filmes em cartaz desta semana, reparei num em particular que vai estar no Avenida 3ª e 4ª feira: "Hotel Rwanda", que diz respeito ao genocído ocorrido nos anos 90 no país.
Fiquei curiosa para o ver...
http://www.mgm.com/ua/hotelrwanda/main.html

quarta-feira, abril 13, 2005

Mais uma vez, vejo-me obrigada a falar em João Paulo II...

Li esta citação no Público:

"Vai longe quem lembre que o Papa tinha pedido, expressamente, que não o fotografassem 'no seu leito de morte ou após o falecimento'"
Joaquim Fidalgo, PÚBLICO, 13-04-2005
Curioso, que agora, no Público, onde, como em todos os jornais, foram publicadas imagens do corpo morto do Papa, surja esta afirmação, não? (Note-se que em publico.pt até há um dossier que acompanha, "passo a passo" todos os desenvolvimentos relativos ao assunto - se não acreditarem, verifiquem em: http://dossiers.publico.pt/dossier.asp?id=1424)
Contraditório? Naaaaaa.......Porquê?
Respeito pela vontade de um ser humano? Respeito pela morte? Ou respeito pela famigerada "liberdade de imprensa", cujo nome é tão usual e facilmente evocado?

terça-feira, abril 12, 2005

A morte para além da vida

a mesa de cafe

Tive a oportunidade de passar os olhos pela revista do "Expresso" desta semana, mais concretamente sobre um bom artigo que fala da morte para além da vida (esta anástrofe da “expressão” original é propositada) do Papa, que foi o que os media se entretiveram a fazer durante semanas a fio – “what it takes to boredom” – como nos diz a Mariana, ali na ilha vizinha.
Bem, mas indo ao que merece ser destacado do artigo, queria apenas falar das qualidades que me pareceram transparecer de José da Cruz Policarpo (um dos mais apontados para suceder a Wojtyla). Em entrevista à “Única”, o patriarca fala-nos da necessidade de “ (…) um conhecimento mútuo da tradição latina e da tradição oriental (da Igreja) (…)” e das repercussões que este conhecimento poderá vir a ter na integração dos emigrantes do leste; refere-se muitas vezes a “evolução” e “homem urbano”. Apesar da ambiguidade do seu discurso, parece-me que este candidato está consciente de que há, de facto, vantagens em se afastar um pouco do conservadorismo de uma igreja bafienta, nem que sejam estatísticas: “ (…) Um indivíduo atormentado pela inquietude ou pela dor não procura conforto junto da Igreja. Necessitamos de adoptar novos comportamentos e responder às expectativas do homem urbano cada vez mais isolado (…)”. Destas palavras retenho que a sucessão de Policarpo a João Paulo II poderá ser como que a introdução de sangue novo numa igreja desacreditada pelos homens, principalmente pelos jovens (como eu, por exemplo), e vejo que este homem pensa um pouco para além daquele conjunto de regras de conduta que já não são compradas nem sequer num antiquário, quanto mais numa sociedade em que os números de infectados com o vírus do HIV cresce a um ritmo galopante (números esses que não prescindem, por exemplo, da companhia das gravidezes de adolescentes); o que faz pensar duas vezes em optar pela precaução ou pelo preconceito (a mãe puritana diz para a filha: “embrulha-te as vezes que quiseres com o teu namorado; se engravidares casas…” – estas coisas, sim, ainda acontecem).
Tudo isto para dizer que deposito algumas esperanças (que já não são muitas) no próximo Papa, que poderá ser português. Resta saber agora se uma vez mais o medo de uma possível perda de apego a falsos ideais não ditará a sua derrota. A sua entrevista surpreende…não parece, definitivamente, um homem tão ligado à Igreja a falar…

segunda-feira, abril 11, 2005

Xenofobia vem aí?

Com o desemprego a atingir os 7%, a crise económica e financeira que não passa, a imigração de leste a aumentar, o preço do barril de petróleo a atingir extremos, as indústrias a deslocarem-se para a China para optimizarem os seus lucros, a pergunta subsequente é obviamente: transformar-se-á Portugal num país de Xenófobos? Será Portugal um país de xenófobos? Ou estará em vias de o ser? Há muito que aquele estigma de que os "estrangeiros vêm fazer o trabalho que os portugueses, preguiçosos, não fazem" já passou. Na situação em que se encontram, os portugueses não estão na disposição de escolher. Aceitam qualquer trabalho. Mas não aceitam qualquer salário. É essa a diferença, porque o subsídio de desemprego colmata o ordenado miserável que as empresas de construção civil desejam, ilegalmente, pagar. E, por isso, os imigrantes de leste, para além de altamente qualificados profissionalmente, têm uma qualificação extra que, nos tempos de crise, vale mais que qualquer outra: aceitam o que lhes dão sem reclamar. Mas um imigrante nunca vem só: vêm os seus problemas, vêm as suas máfias, vem a impotência face à sua situação, enfim, vem a criminalidade. E, infelizmente, a de Leste já cá chegou e já começou a causar distúrbios grandes ou pequenos, publicitáveis ou não publicitáveis, sempre graves, independentemente da sua dimensão, porque ganham visualização geral e não particular, ou seja, são vistos como um paradigma à parte, e não como casos habituais e subsequentes das relações sociais. E das duas uma: ou os imigrantes de leste percebem que Portugal está a atingir o seu ponto de saturação e cessam a sua vinda maciça, escolhendo outro destino, ou a xenofobia virá aí e com mais força do que hoje se nota. E não vai ser o "ninguém tem culpa de onde nasceu" que atenuará as suas repercussões.

sábado, abril 09, 2005

Espantoso!

Esta posta vem 1 semana atrasada, mas como mais vale tarde que nunca…aqui vai.

O Professor Freitas do Amaral é espantosamente imprevisível, tal é a sua previsibilidade.
De facto, o Ministro dos Negócios Estrangeiros tem o dom de fazer aquelas coisas que são de tal modo óbvias para o comum cidadão, que este (falo por mim) pensa que ele nunca teria coragem de fazer. Mas tem!
Vejamos: Depois de uma tentativa falhada e frustrante de candidatura à Presidência da República (contra Mário Soares), Freitas, sem esquecer este sonho, começou a tentar deslocar-se para a área do PSD (naturalmente mais abrangente que a do CDS). Isto passou-se nas eleições em que Durão Barroso foi eleito, com o seu apoio declarado. Mais tarde, quando toda a gente percebia que na direita Freitas não teria hipóteses mas nunca sequer sonharia que este tivesse coragem de “tentar” a esquerda, ele surpreende todos e apoia a candidatura de Sócrates (não sem previamente moldar a sua imagem pública, de modo a tornar esta mudança mais natural). Pouco depois, quando todos calculavam que Freitas pretenderia colar-se definitivamente à esquerda mas nunca o julgariam capaz de participar no novo Governo, é precisamente isso que ele faz, com a maior naturalidade (de facto).

Agora (mais precisamente há uma semana), este senhor consegue fazer-me “cair o queixo”, pois tem a “lata” de criar uma «task-force» no seu ministério para apoiar a candidatura de António Guterres ao lugar de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Estarei eu doido ou isto é uma descarada e fácil maneira de dar um “chuto” no único candidato natural da esquerda à Presidência da República e assim conseguir candidatar-se ao cargo? É verdadeiramente inacreditável, mas, realmente, acho que eu é que sou burro, pois já devia estar à espera, porque realmente a este homem, não falta, pelo menos, coragem!

Para aqueles (dos nossos inúmeros leitores) que já desconfiem desta minha paixão pelo Professor Freitas do Amaral, convém referir que eu apenas o considero mau como pessoa, pois não ouso sequer questionar as suas capacidades intelectuais, que, aliás, são por demais evidentes nos casos que exemplifiquei. É preciso ser corajoso, mas também, não menos, inteligente, para fazer certas coisas

sexta-feira, abril 08, 2005

Leilões peculiares!

O meu pai acabou de me enviar o seguinte texto que, mais uma vez, demonstra as barbaridades que se cometem nos países, supostamente, desenvolvidos!

Aqui está o texto:

um colega acabou de me contar a história seguinte:

  • na Alemanha foi criado um site internet que é um autêntico leilão de mão-de-obra barata
  • o potencial empregador anuncia que precisa de um trabalhador por um certo período e propõe um preço-base máximo
  • todos os candidatos com as qualificações pretendidas podem licitar - será escolhido aquele que pedir o salário mais baixo
  • os sindicatos estão a tentar "corrigir" a situação para garantir nomeadamente a protecção social dos trabalhadores
  • deve acrescentar-se que na Alemanha não existe salário mínimo (prossegue um vivo debate sobre a possibilidade da sua introdução)

Trabalho/trabalhadores = mercadoria ?
Quem disse que um tal tratamento das pessoas era típico dos países pobres ?
Parece que a resolução do problema do desemprego estrutural na Europa seja só possivel através do nivelamento com países de salários mais baixos...

Assume-se que quem está disposto a trabalhar quase de borla tem de qualquer maneira acesso à internet (o que já não é mau !).

"Animal" apresenta a besta deste Primavera/Verão - Fátima Lopes

a mesa de cafe

Ás vezes lamento-me por o “24 horas” não me chegar a casa, por não ser assinante deste, e pela simples razão que é ver com os meus próprios olhos os ascos que ainda abundam no Jet7 actual. Concretamente, estou-me a referir à besta da Fátima Lopes, sim, aquela que tem um corte de Cleópatra e feições de espermatozóide, cujos seios lhe ameaçam saltar para fora das tiras de 3cm que os cobrem, e que anda de sempre de preto, cor justificada pelo luto constante em que deve andar, por esta sentir que os seus neurónios se contam pelos dedos das mãos. Sim, aquela que aparece sempre ao lado de 20 paneleiros, em festas da moda, e que deveria escorregar por uma montanha de lâminas e aterrar numa banheira de champanhe, para que sinta 1/3 do sofrimento que os animais sacrificados nos países do leste, nas mãos de babuínos, sofrem. Como é que em pleno século XXI ainda pode haver gente tão miserável; como é que alguém ainda pode achar que é justo ou coerente sacrificar um só animal que seja para fabricar vestuário?! Não tenho como provar que as peles que esta usa sejam obtidas da mesma maneira, mas só o facto daquela larva dizer o que diz é justificação para a ira de qualquer humano lúcido.
Graças a um vídeo que está no site '>href="http://animal.org.pt/fatimalopes.wmv", que mostra uma sequência de frases proferidas por esta acéfala, acompanhadas por imagens da forma como é tirada a pele aos animais usados no vestuário, fica-se a saber que sim, ainda existem humanóides (sim, porque aqueles olhos não me convencem de que seja totalmente humana) que aprovam o uso de peles verdadeiras no fabrico de casacos. Não recomendo a pessoas que se impressionem com este tipo de imagens. Apenas peço que divulguem o mais possível, por e-mail, em fóruns, em blogues, onde quiserem. Apenas não deixem que enormidades destas continuem a acontecer, num país dito civilizado. E se encontrarem uma forma qualquer de contactar esta meretriz, divulguem, para que lhe possamos dirigir umas palavras agradáveis.

quinta-feira, abril 07, 2005

A propósito do texto sobre João Paulo II

Encontrei há pouco a intervenção de Ana Drago, deputada do Bloco de Esquerda no parlamento, acerca do pontificado do Papa. Vem na linha do texto que escrevi no outro dia, por isso aconselho que seja visto.
http://www.bloco.org/index.php?option=com_content&task=view&id=1288&Itemid=95

As qualidades inegáveis do Líder!

Eu sei que é um pouco cruel andar a bater ainda mais no ceguinho, neste caso no “Guerreiro Menino” mas não posso resistir! Novamente tive a curiosidade de “espreitar” o que os nossos amigos do PSD andam a fazer pela Internet e fui encontrar frases maravilhosamente deliciosas sobre o “líder” Pedro Santana Lopes:

“Por detrás de um grande partido há sempre um grande Presidente. A biografia de Pedro Miguel Santana Lopes ao pormenor.”
(Grande partido? Grande Líder? A quem interessa saber a vida dele…?).

"Porque um político de sucesso não se reflecte somente naquilo que diz, mas também naquilo que escreve.” (sucesso? Qual? Quem?).

Palavras para quê? Vão ao site do PSD e descubram mais!

Peço desculpa uma vez mais por estar novamente a atacar um indefeso! A sério!


Foi com alguma surpresa que hoje consultei um inquérito do publico.pt cuja questão era: “De que continente deveria sair o próximo Papa?”.
Claro que este tema não é da nossa competência discutir, mas achei curioso a maioria dos participantes (40%) defender que o próximo chefe da igreja católica deveria ser Africano.
Isto por dois motivos:
Em primeiro lugar, porque um papa de África permitiria dar maior expressão ao vasto número de católicos aí existente, calaria os racistas que se dizem muito devotos da igreja católica (e não são poucos!) e talvez lhes mudasse as mentalidades (bem, este último aspecto já deve ser demasiado utópico). Além disso, fiquei positivamente surpreendida por ver que a maioria das pessoas já tem uma atitude mais liberal face à igreja, aceitando, e até promovendo a sua mudança! Ou isto, ou a maioria dos visitantes do publico.pt é não - católico, e, como eu, considera que uma reviravolta não fazia mal nenhum à igreja!
Esta é a altura certa para a mudança no Vaticano e em tudo o que controla, portanto, e como já Fernando Pessoa dizia: “Valete Frates”. Posted by Hello

Polémicas...

a mesa de cafe

Quem se quiser pronunciar acerca da questão do Metro em Coimbra, tem toda a liberdade para o fazer em

http://amesadecafe.blogspot.com/2005/03/vivam-os-tempos-modernos-agora-coimbra.html

quarta-feira, abril 06, 2005

O mistério do NADA

Resolvi escrever sobre um tema recorrente das nossas conversas Ritzescas, cuja acerca o qual nunca chegámos a um consenso.
Trata-se da eterna rivalidade ciência-religião.
Não me vou dedicar ao tema no seu sentido lato, o que me daria "água pela barba", mas apenas ao seu sentido estrito.
Quanto a mim, o que, tanto a ciência como a religião, procuram é, nem mais nem menos, que o início de tudo o que nos rodeia.
Ora, para encontrar esse facto, optam por estratégias distintas.
A religião, acredita pia e dogmaticamente nos seus valores, que defendem a formação do universo por Deus, procurando justificá-los, com a fé humana, e se possível, com o auxilio de milagres e testemunhos que comprovem ou indiciem este facto.
Já a ciência, por seu lado, procura, directa e indirectamente, destruir os pilares da religião (pois antes do surgimento da ciência, era esta que respondia a tudo o que era do desconhecimento humano), investigando o mais possível no sentido de encontrar a origem de tudo o que nos rodeia e o modo como tudo funciona.
Contudo, por enquanto (e quanto a mim, para sempre), há algo em que ambas esbarram, que é o NADA!
De facto, estas duas entidades não conseguem justificar o porquê de do nada ter surgido tudo, simplesmente porque a mente humana é incapaz de compreender este facto.
Mesmo que a ciência prove a origem do universo, ficará sempre a dúvida sobre o que existia antes daquela (suposta) massa microscópica que deu, repentinamente, origem a tudo o que conhecemos hoje, e a tudo o que alguma vez conheceremos. Já a religião, segundo a qual, Deus foi o criador do Universo, tem neste facto um último reduto, pois a mente humana tem mais facilidade em aceitar uma entidade divina como criadora do Universo do que um complexo processo cósmico difícil de compreender pelo homem.
Qual estará certo? Penso que nunca se saberá.... Talvez nenhum esteja...

Vou-me suicidar com Vitamina C

a mesa de cafe

Já sei que me vão chamar parcial, mas infelizmente tenho que dizer que ainda fico siderado com as ondas que são levantadas à volta de assuntos tão banais como a venda de medicamentos não sujeitos a receita médica em hipermercados e outras superfícies comerciais.
O Sr. Dr. bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Aranda da Silva, teme certamente que as pessoas apanhem uma overdose de Brufen e Cêgripe. Como se não bastasse considera que "há muitas pessoas que apoiam a medida sem qualquer base científica e até com interesses comerciais”: mas que bases científicas é que são necessárias para apoiar (ou no caso dos mais obtusos) não apoiar esta medida? Por amor de Deus, eu tomo Guronsan quando me apetecer, e não é preciso que mo dêem numa farmácia da minha área de residência. Em qualquer farmácia que se entre e se peça vem prontamente um medicamento deste género, sem aconselhamento ou sem recomendação . Até chega a haver imbecis que utilizam sprays analgésicos para “lhes dar moca”, sem haver um Dr. que intervenha e lhes pergunte para que é que o vão utilizar. Face a isto, que diferença é que pode haver entre serem vendidos numa farmácia ou num hipermercado, se a mulher da caixa é capaz de falar mais comigo que o próprio “merceeiro de bata”? Para quê andar a correr farmácias de serviço se posso adquiri-los numa bomba de gasolina perto de minha casa (se chegarem a ser permitidos aqui)? Quanto aos interesses comerciais, para mim não podia ser mais simples: é obvio que muitos hipermercados e lojas ficarão favorecidos…e daí? Restringissem esta venda só a genéricos e toda a gente achava muito bem. Como têm medo que a Bayer ou o Continente controle o mundo, é logo um alarido à volta do assunto. Se Sócrates soubesse tomar esta medida na altura certa não haveria polémica. Como foi das primeiras fica logo a populaça chocada, é logo abertura de noticiários e primeira página. Cada vez me convenço mais que o portuga é mesmo assim: tem que ter sempre um assunto para mascar. Até que fica sem sabor…e deita fora.

terça-feira, abril 05, 2005

2 de Abril: um dia simbólico

"Para Santana Lopes, todos os dias são dias 1 de Abril", diz Eduardo do Prado Coelho, hoje, no Público. Não é só para ele. Também nós, sempre que abre a boca, achamos que é mentira. Por exemplo, quando afirmou, num passado muito recente, que não se iria candidatar à Presidência da República porque, segundo ele, devemos extrair lições da vida, alguém acreditou?Não, obviamente que ninguém acreditou, nem por um segundo, que Santana soubesse tirar lições_ quanto mais de vida. Teríamos acreditado caso Santana tivesse dito que não só uma candidatura presidencial estava definitivamente afastada, como toda e qualquer candidatura a todo e qualquer cargo de importância ou confiança política não estava nos seus planos. Aí sim diríamos: "hoje não é dia 1 de Abril, o calendário do Santana andou". Qual é , afinal, o nosso sonho? Acordar numa noite para ir beber um copinho de leite, olhar para o telemóvel, e ver no visor 2/04/?. E porquê? Porque, partindo da certeza mais que absoluta que Santana nunca dirá uma única palavra verdadeira enquanto politicamente vivo, a mudança no visor indicará que está politicamente morto.

Lições de Vida

a mesa de cafe

A maior parte dos visitantes deste blog (maneira subtil de dizer que temos 9 ou 10 visitantes) sabem, certamente, que fomos em viagem de finalistas para Andorra, Pas de La Casa, um amontoado de megastores e casas de pedra no extremo da Grand Valira. Sabem (ou calculam) que a principal actividade foi, obviamente, o Ski e o Snowboard. E suspeitam que, jovens como somos, pensaríamos que dominávamos perfeitamente quer um, quer outro. Bem, pode-se dizer que não nos saímos muito mal; mas também estivemos provavelmente longe daquilo que seria de esperar. Mas pronto, chegou para divertir, e o Ski em grupo foi um grande ponto de convívio que proporcionou bastantes momentos de diversão, principalmente com as quedas.
Só que acontece que, estúpidos como somos nesta idade, o sentimento de invencibilidade e imortalidade nos preenche o corpo e a alma; e que só nós o detemos (obviamente). Isto só para dizer que, aquando mais uma subida de pista pelo Teleski (aquelas cadeiras que se parecem, como o próprio nome indica, com um teleférico), reparamos num senhor, já de certa idade (ou pelo menos assim aparentava), com uma tremenda dificuldade em calçar o ski, dado o declive em que se encontrava. Quando finalmente conseguiu, para voltar à pista começou a escorregar de uma forma bastante tosca, curvado, a fraquejar. Buçais como somos, a risada foi geral. “Olhó’ velho! Jazus! Chega-lhe!”. O homem não reparou, felizmente para nós, e infelizmente para ele, que poderia saborear a sua vingança poucos minutos mais tarde. Assim, quando descia despreocupado, já noutra vez, qual não foi o meu baque quando passa por mim o mesmo homem, em sprint e em paralelos. Acredito que a sua alma me tenha piscado o olho e tenha dito: “Toma lá, ó espertalhão…”. Deveria ter enterrado a cabeça na neve e congelar de vergonha. Não o fiz, deveria ter feito. Mas pelo menos aprendi a não gozar mais com supercotas.
É...a vida tem destas coisas…

segunda-feira, abril 04, 2005

João Paulo II

Após a tão acompanhada morte do Papa João Paulo II todos relevam as suas qualidades e até já se fala em canonização. De facto, foi um homem que fez tudo pela união entre as diferentes religiões, que fez questão de cumprir a sua função até ao fim, que viajou por meio mundo para marcar presença em todos os povos, que teve a coragem de pedir perdão pelos imperdoáveis erros da igreja ao longo dos séculos, etc, etc, etc. Podia fazer um texto só a enumerar as suas boas acções e a sua importância para o mundo. Contudo, há um aspecto que temos de ter em conta, aquele Papa foi tudo menos um homem do seu tempo e sobretudo, não adoptou uma conduta que o destaque dos demais Papas.
Parece, mesmo, que toda a gente se esqueceu de que este Papa tomou atitudes extremamente retrógradas como a oposição à utilização de métodos contraceptivos (Deus quer que o Homem se reproduza e este não pode interferir com o seu plano, impedindo gravidezes (?) não interessa o sexo como meio de prazer, apenas como meio de reprodução (?) e as doenças sexualmente transmissíveis são o quê?), a oposição ao divórcio (vivam as aparências e os casais infelizes), a manifestação contra a ordenação de mulheres e a inferiorização do papel do sexo feminino na igreja católica, etc.
Não estou com isto a desvalorizar o desempenho de Karol Wojtyla enquanto chefe da igreja católica, pelo contrário, teve um papel muito importante nos principais acontecimentos dos últimos 26 anos, apenas quero lembrar que a canonização me parece exagerada e que a igreja está a precisar URGENTEMENTE de um líder com ideias mais actuais que lhe dê uma reviravolta, para que não perca cada vez mais adeptos.
Mesmo para os não-católicos como eu, estes assuntos são importantes, pois acreditemos ou não na religião, esta é um dos elementos de maior relevo da cultura ocidental, logo, interessa-nos a todos.
Por fim, um pequeno reparo para os MEDIA: o falecimento do Papa e a aproximação do Conclave não devem ser acompanhados do mesmo modo que uma competição desportiva.

sexta-feira, abril 01, 2005

Será que é desta?

Aproximam-se as autárquicas e sobre o PSD paira uma nuvem muito negra: recandidatar-se-á Santana Lopes à Câmara de Lisboa? Terá ele coragem de o fazer? Terá ele a estupidez necessária para o voltar a fazer? Estará o PSD suficientemente embriagado para deixar que ele o faça? Ora, coragem obviamente que não tem porque para ter coragem é preciso ter medo e para ter medo é preciso que penda sobre ele o peso da responsabilidade, com a qual, aliás, ele nunca soube arcar. Mas o que falta de coragem em Santana, sobra-lhe em irresponsabilidade, incompetência e estupidez, esta última suficiente para pensar que é suficientemente responsável e competente para assumir o cargo ou para pensar em assumi-lo. Depois, tem a seu lado o recém-canonizado Carmona Rodrigues, que andou a tapar buracos por Lisboa inteira_ buracos estes feitos por Santana_ e que das duas uma: ou é santo e gosta de tapá-los, ou está certo de que a direcção do partido lhe confiará a ele a candidatura à Câmara nas próximas eleições. Esperemos que não se engane. Esta última hipótese até seria viável num partido normal: mas o que se pode esperar de um partido que, depois de ver o seu governo perder a confiança política do país e do PR, ao invés de mudar de candidato, volta a apostar no mesmo? Os resultados das últimas legislativas seriam um suicídio político, um tiro na nuca para qualquer político; sem hipóteses de reanimação. O problema é que Santana, por mais tiros na nuca que receba, nunca morre ou acha sempre que nunca morre. Cabe aos lisboetas, caso ele se recandidate, mostrar que afinal o problema é dele e não nosso. Que Santana não tem sete vidas, tem uma, e que se os tiros lhe acertam sempre na nuca é porque queremos que ele desapareça. De vez.

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