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terça-feira, maio 31, 2005

O Tuga


Apercebi-me, ao assistir a programas televisivos e radiofónicos, recentemente, de uma característica pecúliar do Povo português.
Já repararam que o típico "português", quando se quer referir a alguem em tom de desdém, como que reduzindo-o a um plano inferior, o faz normalmente através do prefixo: Sr, ou mais própriamente, Shô!
É típico ouvir, principalmente naqueles programas de participação livre ou em debates televisivos dizer, por exemplo: "O Shô Bush", "O Shô Luís Filipe Vieira", "O Shô Pinto da Costa" (é no futebol que predomina...), e, até... "A Shora ministra". É realmente uma característica engraçada... é que as pessoas sentem-se realmente bem ao dizer isto....sentem-se superiores!

Sei que este post não vem muito a propósito, mas como isto é umA MESA DE CAFÉ...

(é claro que isto não é nenhuma analogia com um conhecido professor da nossa escola, chamado D...)
Posted by Hello

O dia depois de ontem

a mesa de cafe

Agora que passou o misto de pânico/euforia/embaraço, e começando pelo fim, por parte dos Srs. Deputados (com o fim das reformas destes e etc.), dos comentadores políticos (nos quais Vasco Pulido Valente obviamente se insere, aliás, este homem vive num pranto incessante), e da população em geral, eu pergunto (se é que me é legítimo fazê-lo): saberá Sócrates o que é “Austeridade”? Saberá o governo do Partido Socialista o que é ser-se, de facto, socialista? E saberei eu? E alguém sabe? Pois custa-me reconhecer que se calhar os da velha guarda é que têm razão, quando afirmam que, hoje em dia, as orientações partidárias têm um fundo ideológico comum: a cultura de massas. E que a única coisa que distingue os jovens como eu, em/na política, são as idiossincrasias pessoais de cada um. Parece uma perspectiva um pouco redutora , mas penso que é essencial que a escutemos com atenção para concluirmos o seguinte: estamos na merda. Sócrates percebeu isso quando chegou ao governo, nós percebemos isso quando finalmente percebemos que ele tinha chegado ao governo. E que se tinha deparado com uma economia em que não há espaço de manobra para se ser socialista. E que como percebeu que não havia, não se importou de respirar fundo, ganhar fôlego e dar uma sopradela destas nas promessas que tinha feito, unindo histórica e preocupantemente dois partidos aparentemente opostos, que discordam em coisas muito semelhantes: O Bloco de Esquerda e o PSD. Só que essa aparente harmonia da oposição tem, a meu ver, uma leitura um pouco distinta daquela que a priori nos seria fácil ter: não são as medidas de Sócrates que são boas; não é o facto do IVA aumentar que vai acabar com o défice, não é o tabaco que vai pagar as despesas da saúde pública. Ou melhor, poderá hipoteticamente pagar, o IVA pode até produzir os seus efeitos…mas o que Cavaco Silva diz não deixa de ser verdade: o rombo na economia e a competitividade entre as empresas nacionais e estrangeiras (e basta-nos olhar para o amigável IVA de Espanha) sairão seriamente prejudicadas (a longo prazo, mas que sairão é uma certeza)…Conclusão: o que se vive é o adiamento de uma tragédia , nada mais que isso…
Bem, mas preferiria dizer a quem lê isto que esquecesse as linhas de cima, porque o que me senti ao escrevê-las nada mais foi que um saco de frases feitas e de clichets (os textos da blogosfera acerca das Medidas de Austeridade _mesmo os daqueles que efectivamente sabem o que escrevem_ are so damn boring…); prefiro antes pegar nalgumas reflexões acerca do que se vive em Portugal que vão ficando esquecidas, numa altura em que supostamente elas são as mais importantes, ou por outras palavras, as que realmente contam…
Disse o Zé, e bem, que “um Estado não enriquece com dinheiro vindo de dentro, mas sim com dinheiro vindo de fora”. Ora digam-me como é que se pretende mandar vir esse dinheiro com uma massa de licenciados que chega a esse estado profissional sem saber ler nem escrever, ou falar fluentemente mais que uma língua que não o inglês? Mas a verdade é que nos enganamos diariamente, pensando que esta língua é suficiente, que ninguém nos irá pedir mais que isso: mas a verdade é que nos enganamos redondamente…a globalização é um monstro que cresce diariamente, e não se vai dar (ou pelo menos não se vai dar sempre) com o inglês como língua única. Como é que algum português mediano, pode competir com países da União Europeia, com um rigor como o dos suecos, por exemplo? A resposta é: não pode. Não podemos. Não conseguimos.
São, portanto, a meu ver, realmente estes, os problemas que Portugal tem de corrigir; que passam pela profunda crise moral que vivemos, com um país educado pela televisão, que o único fim que tem em vista é não fazer nada; é esperar que os outros façam. O que não deixa de ser assustador, visto que a espera produziu os seus efeitos; chegaram as consequências – fizemos e fazemos a cama para que os imigrantes de Leste façam o nosso trabalho, e nos passem à frente. E isto não é Xenofobia, é uma mera constatação, visto que por mim as fronteiras nem deviam existir – no lugar delas deveriam estar cartazes luminosos com a seguinte mensagem: “Vem Europa, que o nosso país nos está a fugir por entre os dedos como areia”. A crise não se resolverá enquanto problemas estruturais na sociedade e na educação não se resolverem. Acreditem que não.
A minha opinião de leigo é esta…obviamente que sofreu muitas influências…mas de influências…cada um colhe as que quer.

segunda-feira, maio 30, 2005

O Estado Português é um Estado social de Direito como, com muita pujança e dignidade, está escrito num qualquer artigo da CRP. Ora bem, o problema é que o clima não é muito para "sociais". Com um défice de 6,....% também é difícil (não é para todos um défice assim...). O que é certo é que Portugal começa a perceber que o Estado Providência não pode continuar como o tomam. Portugal é algo de muito genérico; na verdade, alguns políticos começam a perceber que o Estado Providência não é sustentável: se o estado gasta mais do que recebe...é de fácil compreensão perceber que assim é. Os ingleses perceberam isso nos anos 80 com a Sra. Tatcher_ que soube dar a cara à palmatória_ os franceses têm vindo a sofrer muito com o facto de não terem percebido o mesmo tão cedo ou, no caso de terem percebido, não terem feito nada para mostrar que perceberam. Bem, o problema é que Portugal nem é a Inglaterra, nem é a França. É outra coisa... é outra pobreza, outros problemas, outras debilidades, é algo de muito mais grave e de muito mais profundo. Assim sendo, Sócrates, que até agora teve coragem para fazer algumas coisas, mas não para fazer tantas como as que se lhe exigiam, vai ter de explicar ao português, antes ou depois das autárquicas_ eu, se fosse ele, preferia depois, mas..._ que a situação é insustentável mesmo com o aumento da idade de reforma e que esta não foi senão uma das primeiras medidas que o vão confirmar. Mas, Sócrates não o vai conseguir fazer se não mostrar a esse mesmo português que está verdadeiramente empenhado na luta contra a evasão fiscal e que se são necessárias mais receitas, não são os impostos sobre todos os mais justos para as obter (apesar de concordar inteiramente com os impostos sobre o tabaco, que servirão para pagar os encargos com a saúde: acho, na verdade, até muito legítimo que assim seja), muito embora sejam estes os únicos que poderão dar ao estado as receitas automáticas de que este necessita para tapar o buraco. Um buraco bem grande que, apesar de tantos sacrifícios, será reduzido para quase nada...

Inter Rail...

a mesa de cafe

...é algo por que já não posso esperar mais. Isso e o fim dos testes. E das aulas. E dos exames.
Ou seja, ainda me (nos) estão reservadas algumas horas de sofrimento até lá. Vou ver se ganho inspiração para escrever alguma coisa mais desenvolvida sobre isto. Mas só amanhã, porque ainda me faltam decorar algumas coisas para Direito. Esta disciplina mata-me. A sério que mata. E já devem estar fartos das frases em catadupa, mas é que a minha escrita acabou de ficar viciada pela maneira como se decoram respostas para direito. Frase a Frase…

Fuck those damn stupid subjects…

Constituição Europeia?


Hoje não tenho muito tempo para desenvolver este assunto, mas não queria deixar de expressar o meu profundo AGRADO pelo "Não" dos Franceses à Constituição Europeia, que não significa necessariamente um "não" à Europa.
É uma recusa de uma União Europeia demasiadamente unida, tão unida que se omitem as características individuais de cada membro, a sua originalidade, a sua cultura, a sua tradição (A todos os níveis), etc.
Isto não é ser anti-europa, muito pelo contrário, apoio a união dos países do "velho continente" para se ajudarem mutuamente, agora, isso não implica que todos se rejam pela mesma constituiçãoo. Isto não só porque cada um tem a sua própria história política, como também porque, por muito perfeita que seja qualquer constituição, é impossível, que esta contemple todas as situações dos 25 estados-membro e não deixe muitos deles prejudicados!
Pouco sei acerca da Constituição Europeia mas, na minha humilde ignorância (que partilho com a grande maioria dos europeus), creio que os motivos que tenho para não a apoiar são plausíveis.
Depois, há toda a questão dos interesses político-económicos envolvidos e também a dúvida: Será que o resultado deste referendo vai mesmo impedir a UE de ratificar a Constituição Europeia? Posted by Hello

domingo, maio 29, 2005

O Monstro

Este é um tema que, não só por estar na ordem do dia neste momento mas, principalmente, por estar na ordem do dia pela enésima vez, me interessa particularmente (e penso que devia interessar a todos…).
Refiro-me ao Estado da economia, mais precisamente ao primeiro: O Estado.
Pode-se dizer que o actual estado da economia remonta, em sentido lato, aos governos de Cavaco Silva. Ora, numa interpretação puramente pessoal, avalio a cronologia económica do seguinte modo: Cavaco esteve no governo durante 10 anos, 3 mandatos (um deles incompleto), sendo que nos 2 primeiros tratou de estabilizar e dinamizar a economia e no último, à sua maneira, tomou medidas de âmbito mais social; resultado: a economia piorou e o PSD perdeu as eleições seguintes. Guterres esteve no governo durante 6 anos, 2 mandatos (o último deixado a meio), empreendendo principalmente medidas de âmbito social; resultado: deixou o estado altamente deficitário. Durão Barroso esteve no governo durante 2 anos, 1 mandato (deixado a meio), tentando desesperadamente combater o défice; resultado: deixou um défice diminuído mas com tendência a aumentar. Santana Lopes esteve no governo durante meio ano, 1 mandato (deposto 4 meses depois pelo Presidente da República), anunciando uma retoma económica; resultado: o défice que deixou é monstruoso. Finalmente, Sócrates chega ao governo e, deparando-se com este monstro, qual Durão Barroso, toma medidas de contenção que estão a ser altamente contestadas.
Desta, chamemos-lhe, história do défice, concluo que este, quer se aumente os impostos, quer se proclame uma perspectiva optimista, tende sempre aumentar.
Assim, quanto a mim, há uma coisa que está errada no meio de isto tudo: O peso do estado!
O nosso estado exige, nomeadamente nas áreas da saúde, segurança social e educação fundos que não estão disponíveis; resultado: Défice.
Por conseguinte, é necessário que se inicie um programa de dieta, com o objectivo de emagrecer este estado obeso, com medidas que passem pela reestruturação das áreas referidas, por um emagrecimento da função pública, e, principalmente, pela aposta nas empresas privadas. Basta pensar no seguinte: parece lógico que se enriqueça o estado com dinheiro dos próprios cidadãos? È claro que não, esta estratégia não passa de um falso enriquecimento, pois o dinheiro limita-se a passar dos contribuintes para o estado, mas dentro do mesmo país. Deste modo, a solução terá que ser, isso sim, dinamizar as empresas privadas, de modo a aumentar as exportações, pois um estado não enriquece com dinheiro vindo de dentro, mas sim com dinheiro vindo de fora.
Em suma, é necessário que se emagreça o estado, de modo a diminuir os encargos deste, e que se aposte nas empresas privadas, aumentando as exportações e, consequentemente, a entrada de fundos estrangeiros. Só assim será possível no futuro tomar medidas sociais com a necessária base de apoio económica, pois sem esta, elas acabam sempre por fracassar.
No panorama actual, posso dizer que concordo com as medidas tomadas pelo governo, pois a curto prazo são necessárias, mas penso que, no fim do ano, terão que ser tomadas outras medidas, no sentido de dinamizar, verdadeiramente, a economia. Estas medidas, na minha modesta opinião, deverão passar pelos aspectos que enunciei…mas esta é só a minha opinião

sábado, maio 28, 2005

O futuro das futuras torres


Vem na "Única" desta semana um bom artigo sobre a reconstrução do Ground Zero. Para falar verdade, também já tinha pensado nisto: o quão estranho é, que, 4 anos depois do ataque, ainda não haja rumores (sejam eles de que natureza forem) acerca da reconstrução das torres que, pelo que percebi, terão uma que se irá chamar Freedom Tower, em homenagem ao sentimento de liberdade que supostamente abunda na América, desde a sua fundação, e como prova de que a liberdade triunfará sempre sobre o terrorismo.
Com efeito, a torre será constituída por 70 andares, e no seu topo terá várias turbinas que permitirão 20% do abastecimento eléctrico do edifício a energia eólica. Preocupações ambientais, como se pode constatar. Será, ainda, o maior edifício do mundo, para provar a quem quer que seja que, quanto mais se atacar a América, mais forte esta se reconstruirá.
Mas pelos visto, será só daqui a algum tempo, visto que os edifícios originalmente projectados não cumprem com as medidas de segurança exigidas, ao serem demasiadamente próximos da rua, entre outros problemas, coisa que provocou o embaraço de Bloomberg, presidente da Câmara de Nova Iorque, durante o anúncio de que a construção será adiada.
Pretende-se também que estas novas torres sejam constituídas maioritariamente por áreas residenciais, ao invés das centenas de escritórios que formavam o antigo centro económico-financeiro americano, visto que, e como se sabe, as maiores empresas mundiais estão a deslocar as suas sedes para países do oriente, como a Índia, por exemplo.
E perguntam-se vocês: "Mas o que é que isto me interessa?...Bem, talvez nada, mas para estarem a ler este Blog, é porque provavelmente também não arranjaram coisa muito melhor para fazer.

Whatever...
Posted by Hello

quinta-feira, maio 26, 2005

"The Big Fish" - Quem conta um conto...

a mesa de cafe

É feriado, está tudo em casa a estudar para os testes (para os últimos, ao menos isso) e eu estou aqui sentado, depois de acabar de ver um dos filmes que estava na minha lista de filmes prioritários - “The Big Fish” (ou em português “O Grande Peixe” _ não é nenhuma pretensão mas acho que muitas vezes os títulos dos filmes não deviam ser traduzidos, para nos pouparem a coisas do género “O Amor é Um Lugar Estranho”, e etc._).
Não será exagerado dizer que este é um filme fora do comum. Na verdade, é mesmo esse o tema do filme: “o fora do comum”. Edward Bloom é um homem adorado por toda a gente, pela sua erudição, pelas suas histórias (fantasiadas ou não), ou pela forma como insiste em que elas perdurem, coisa que não agrada muito ao seu filho William, que descobre, alguns anos mais tarde, que simplesmente não conhece o seu pai. Descobre que aquilo que sabe sobre ele é nulo, porque se limitou, parte da sua vida, a acreditar naquilo que este lhe contava, sobre vilas de gente que anda descalça, sobre gigantes e gémeas siamesas, descobre que ao juntar tudo, a única coisa que conclui é que o universo fantasioso do pai é o culpado pelo desconhecimento que tem deste, e é provavelmente a única coisa que realmente sobre o pai. No dia em que anuncia o seu casamento, William corta relações com este, por estar farto do protagonismo que o pai insiste em ter em todas as reuniões familiares, e que se deve somente às suas histórias integralmente inventadas ou meramente exageradas. Recusa-se a falar com o pai durante 3 anos, até ao dia em que o vê adoecer e que sente iniciar-se o sentimento de necessidade de descobrir a verdade sobre o pai, de descortinar todo o mundo imaginário de Edward Bloom e realmente saber o que está por trás desse pai e desse homem.
Mas o tema do filme está longe de se esgotar nesta acção central. Constitui, a meu ver, um retrato engraçado daquelas pessoas que estamos habituados a ouvir contar histórias, a fabularem para uma roda de pessoas, a acreditarem mesmo naquilo que contam. Penso que toda a gente conhece, pelo menos, umas duas ou três pessoas deste género: seja um amigo, um parente afastado, um professor…e que se formos bem a ver, este exagero não é mais do que, por vezes, uma necessidade enorme de evasão do mundo mecânico e rotineiro que é o nosso. Ou então uma igual necessidade, mas desta vez, de ilusão, para não serem obrigadas a ver o mundo monótono e sombrio que está à frente delas. E, no fundo, quem é que não as gosta de ouvir? São capazes de entreter um grupo de amigos durante horas e horas, de o fazer rir, enfim…a único aspecto negativo é a forma como ficam ofendidos face ao nosso olhar de desconfiança, que, no meu caso, é uma certeza.
“The Big Fish” é um filme que joga muito com a dualidade fantasia/realidade, dualidade essa que permite a introdução de cenas que são unicamente a interpretação dramática das histórias de Edward Bloom. Posso também dizer que é um daqueles filmes que temos dificuldade em gostar até ao final (não no meu caso, por mo terem contado sem querer), mas que depois nos deixa perplexos com a qualidade do filme. Um dos exemplos que me ocorre é “O Jogo” (com este não se puseram a inventar), que nos prende de uma maneira indescritível (deu-me vontade de desligar a televisão, aí uns 2 minutos antes do filme acabar, e de ir contar a toda a gente a trampa que tinha acabado de ver, mas ainda bem que não o fiz porque certamente iria fazer figura de estúpido) até quase ao final do filme, e que nos últimos momentos altera (na minha opinão) completamente a nossa opinião sobre este.
Para concluir, apenas quero recomendar a todos que o vejam. E para os que já o viram, que deixem aqui a sua opinião.

sábado, maio 21, 2005

Michael Moore...Sensacional ou Sensacionalista

a mesa de cafe

Acabei recentemente de ler o best-seller de Michael Moore, “Brancos Estúpidos e Outras Desculpas Esfarrapadas Para o Estado da Nação”, e devo dizer que fiquei bastante surpreendido com a qualidade da argumentação deste na sua campanha anti-América de Bush. E pronto, contra Bush. E pronto, contra Clinton. E pronto, contra as desigualdades sociais sentidas pelos negros na “Land of the free…home of the brave”.
Basicamente, o livro é uma amálgama de críticas sustentadas em factos (aparentemente verdadeiros, porém a direita de Bush afirma _como aliás, não podia deixar de ser_ que são deturpados e que tomam outros contornos fora do seu contexto), que nos deixam verdadeiramente perplexos face ao estado a que as coisas chegaram num país em que supostamente existe uma democracia, e em que supostamente existe um presidente – se bem que alcoólico e de vitórias duvidosas. No fundo, nos E.U.A. (e estou perfeitamente ciente que Michael Moore diz a verdade) chegou-se à ditadura do capitalismo e, pior que isso, à ditadura do capitalismo mais repugnante de sempre; uma nova doutrina: o capitalismo moral e religioso. Por outras palavras, nos E.U.A. a elite de milionários esmaga as classes hierarquicamente inferiores, e é apoiada e bafejada por republicanos conservadores, moralistas, e acima de tudo, aquilo que sempre lhes conveio ser: cristãos. A desculpa para se continuarem a cometer as atrocidades que se cometem. Foi Deus que certamente soprou nos ouvidos de Bush (ou do seu patrão, Cheney) que deveria usar o Alaska como foco de exploração petrolífera…Foi certamente Jesus Cristo que apareceu numa bela noite de calor Texano no alpendre da residência ecológica em que a ex-bibliotecária Laura Bush se encontra e ordenou (ordens divinas não se discutem): vais dizer ao teu marido para rejeitar qualquer proposta da ONU, qualquer tratado ambiental que condene a emissão de gases perigosos, enfim, qual Quioto qual quê…? Estamos muito bem (então nós, esta província de Espanha), aqui sossegados enquanto imaginamos a Figueira a ser engolida pelo mar…Estamos aqui muito bem e até gostamos de ver a próspera indústria nos E.U.A., os bonitos carros da Chrysler, empresa fabricante de carros sem restrição nas emissões de fumo…mas toda a gente sonha em ter aquele (sim, aquele que imita o antigo) porque é mesmo fixe.
Quem viu o Fahrenheit 9/11 sabe do suposto golpe nas eleições Gore/Bush, portanto é desnecessário falar disso outra vez. O meu crédito está inteirinho na versão de Michael Moore, porque das duas uma: ou a América é mesmo uma nação (termo tão simpático aos rightists ) de conservadores acéfalos, ou tem uma grande fatia da população que não percebeu o que implicaria votar em Bush. Ou então os resultados simplesmente apareceram, nem que tenha sido com a ajuda do Supremo Tribunal. E assim obtivemos o que obtivemos: para a América e para o mundo.
O livro de Moore contém ainda uma lista exaustiva de medidas tomadas desde a posse de Bush que explicam também o estado da nação. A suposta reforma da Segurança Social, os fundos cortados para as escolas (principalmente as das periferias, uma vez mais), o estado caótico em que o sistema de ensino público americano se encontra (se econtrou, e se encontrará), a forma passiva como se deixa a iniciativa privada mandar num país, enfim… Toda uma série de factos que só entendidos e reunidos explicam o porquê do declínio da sólida economia americana, e o agravamento das condições de vida neste país…
Michael Moore talvez não passe de um sensacionalista. Talvez não passe apenas de um comuna (meu Deus! Ele é comuna!), dado aquilo que defende e ataca. Mas Michael Moore vive num condomínio em Manhattan. E diz o leitor – “está bem, mas o Francisco Louçã também vive num luxuoso apartamento em Lisboa”. Bem, isto está a ficar confuso.
Como dizia, é provavelmente uma esquerda americana que se começa a fazer sentir (ao que aliás é associado muitas vezes _na maior parte delas, como se de uma máfia se tratasse_). Michael Moore é, a seguir a Donald Trump, um dos homens mais influentes da América. Sim, esse. Com um boné de baseball e barba por fazer…

Porém, e como já disse, há quem não pense assim...

Um pouco de filosofia

Já pensaram no que é a ordem de uma sociedade e se podemos realmente chamar-lhe “ordem”? Proponho esta reflexão independentemente das desigualdades sociais, da corrupção praticada em muitos dos domínios que regem o nosso país, do nosso sistema político justo ou injusto. Sem pensarmos no nosso caso particular enquanto país e com uma visão muito mais global, discutamos o que é ser e viver numa ordem social.
Em vários contextos, é-nos impingido que cada cultura/sociedade tem uma ordem própria. Contudo, para mim (e sublinho: para mim), isso não podia estar mais errado. Basta pensarmos que as tradições, os hábitos, as instituições, os ideais, etc, são compostos por pessoas, cada uma com um objectivo diferente, com conceitos e valores próprios. Cada pessoa tem uma visão da sociedade nos seus vários jugos muito individual. Por exemplo, enquanto apoiante de uma determinada corrente de pensamento, tenho um conceito diferente de “perfeição” (sim, porque aquilo que todos procuramos é a perfeição, embora nunca a encontremos) de outro apoiante da mesma. Ou seja, apesar de me identificar com uma determinada ideologia, mais ninguém a interpreta como eu e, é aqui que entram os conceitos de intersubjectividade e subjectividade, já que nada é objectivo e tudo é relativo (uma frase feita que faz sentido).
Assim, todos procuramos coisas diferentes (não necessariamente opostas, podendo mesmo ser complementares) na sociedade em que estamos inseridos, todos a tentamos transformar segundo a nossa ideologia e plano e, é importante referir, não certos ou errados. Então, embora a maioria das pessoas se reveja mais nas sociedades democráticas (para exemplificar), a forma como estas são postas em prática/encaradas, depende da visão de cada um, de cada ser social. Deste modo, como podemos garantir a coesão de qualquer sistema social? Como podemos afirmar que existe (ou alguma vez pode existir) uma ORDEM social, na plena acepção do termo?
Concluindo, o (des) equilíbrio de qualquer sociedade não se fundará na sua própria e inevitável desordem? As sociedades a que chamamos democráticas, ou mesmo ditatoriais, não serão, na prática, anárquicas?
Esta é a minha perspectiva (discutível, claro, não fosse este texto sobre a subjectividade). Deixem a vossa.

sexta-feira, maio 20, 2005


Para todos os interessados, os Clássicos da Broadway vão estar no TAGV amanha. O preço para estudante é 2€50. Mais informações no site do TAGV: http://dupond.ci.uc.pt/tagv/evento.asp?evtid=447 Posted by Hello

quarta-feira, maio 18, 2005

Universidade:)


Acabou a semana da Queima e fiquei particularmente triste e ao mesmo tempo feliz.
Triste porque os tempos de "outsider" nas noites do parque acabaram, mas muito feliz porque, em princípio, para o ano, vou andar pela cidade com o meu traje académico, vou assistir à serenata na abertura da semana, enfim, vou viver a tradição académica de Coimbra como nunca vivi nem viverei, nem que seja por ser a primeira vez! E isso agrada-me imensamente, não sei porquê (talvez por ter sempre vivido cá e ter passado a vida a ver um ambiente mágico entre os estudantes), mas sei que me agrada muito.
Os exames nacionais aproximam-se e não vou dizer que não tenho um certo "medo" deles, mas pensar em adiar um ano estas novas vivências na universidade é algo que me faz perder logo qualquer hesitação...Posted by Hello

China invade...

Sei perfeitamente que o que vou escrever não é uma novidade, mas deve ser lembrado porque pode, num futuro próximo (mais do que julgamos) afectar tudo e todos.
É uma questão que coloco a todos: Valerá a pena ignorar os direitos dos nossos trabalhadores em prol de um aumento de produtividade e competitividade?

Isto vem a propósito da verdadeira invasão da China nos mercados ocidentais... De tal modo que já os E.U.A. já estão a pensar na melhor forma de a travar.
Mais particularmente, no caso de Portugal, a verdade é que, se nos podemos culpar pela falta de qualidade, instrução e especialização da nossa mão-de-obra, pela fraca iniciativa dos nossos empresários e pela deslocalização dos meios de produção, há aspectos pelos quais não somos responsáveis. Nomeadamente, a questão do baixo custo da mão-de-obra e da produção, bem como a sua qualidade no caso chinês. As características do povo chinês nada têm a ver com as dos demais povos... Os trabalhadores aceitam uma quantidade astronómica de horas de trabalho diárias, com salários reduzidíssimos e com uma precisão impressionante. Assim, é claro que conseguem assegurar a competitividade dos produtos em termos de custo de produção e qualidade. Ora, se em Portugal se podia alterar a questão da qualidade através da formação dos trabalhadores, o baixo custo e a produtividade da mão-de-obra é algo com o qual é impossível competir se não se recorrer a explorações desumanas das pessoas, como acontece na China.
Em suma, aquilo a que a China chama proteccionismo exagerado, trata-se de uma tentativa inevitável de evitar a total falência da produção nacional, já que é de todo impossível competir com um sistema tão maquinal e explorador dos recursos humanos como é o da China.

domingo, maio 15, 2005

Inteligência Artificial


Sou fascinado pela robótica. Aliás arrependo-me amargamente de não ter ido este ano à exposição que houve no Pólo II acerca desta matéria, e do que mais avançado há neste campo...Juro que sinto uma profunda admiração pela quantidade de engenheiros que se envolvem nestes projectos (ok, deviam estar a inventar máquinas para ajudarem cegos a atravessarem a rua ou a andarem no hospital, mas whatever), até porque estes são normalmente dispendiosos e consomem-lhes horas e horas de trabalho e cérebro.
Sei pouco acerca deste assunto, mas vi um documentário daqueles que repetem 200 vezes por semana no Discovery Channel, que apesar de desactualizado nos oferece uma perspectiva bastante ampla sobre a forma como os robots mais mediáticos (um pouco retrógrados, por enquanto) são programados. E não deixa de ser brilhante.
O Qrio da Sony deixa-nos simplesmente boquiabertos. Apesar de ser bastante limitado, aproxima-se em muito do tipo de robot que nos impingiram em filmes como o "I, Robot" (sobre estes falarei mais tarde). Anda, em marcha lenta ou mais rápida, sobe escadas, consegue levantar-se após uma queda, reconhece pessoas _sobre as quais guarda memórias_ e...fala. Mas não fala uma gravação do género "Estou aqui para o servir".... Mantém conversas que apesar de também serem ainda pouco desenvolvidas mostram que grandes progressos estão a ser feitos nesta área. O dito documentário do Discovery Channel é anterior ao lançamento deste robot, e ainda não fala neste; porém, no site da Sony há uma página dedicada ao humanóide ( aqui) em que se pode consultar informação relativa a este, ver vídeos de demonstrações, conhecer detalhes, etc.
Sei que também outras empresas de tecnologia lançaram recentemente robots; uma delas é a Honda, que se adiantou à Sony com o seu Asimo, que apesar de mais limitado é também uma obra-prima da tecnologia. Quer dizer, supomos que sim. Porque qualquer pessoa normal pensará: "Grande coisa, andar ou dançar"...; realmente espanta-nos como é que actualmente ainda não há um verdadeiro humanóide que se aproxime muito de um humano...eu penso que basta atentar no seguinte: se o corpo e o cérebro humano _e obviamente, todas as suas potencialidades e defeitos_ ainda não foram totalmente explorados, ou seja, se ainda não há um conhecimento absoluto deste, como é que se pode exigir que se produza um ser igual a outro que se desconhece? É por isso que respeito e admiro todos os passos que são dados neste campo...por apesar de não perceber nada das técnicas ou as formas de investigação patentes a este domínio estar consciente que as dificuldade são uma realidade com a qual nos vamos ter de confrontar durante largos anos.
Voltando aos modelos já produzidos, gostaria só de falar também do trabalho da Toyota nesta área. No tal documentário mostraram um que tocava trompete e órgão. Num site que descobri mostraram outros com outras potencialidades: desde um DJ até uma cadeira de pernas, outra função muito desejada: a de ajudar na área da saúde. É que as capacidades destes brinquedos são tão ilimitadas que nem se sabe ao certo onde acabarão.
Quanto aos filmes mais recentes que tratam, de um modo geral, este assunto, queria apenas falar de dois que me surpreenderam bastante pela positiva, pelo universo credível que figura em cada um deles. Em "Inteligência Artificial" é abordada uma perspectiva pouco pensada (penso eu) por alguém; a substituição (se é que é possível) de uma criança perdida por um casal por um robot. Na minha opinião, a barreira homem/máquina esbate-se completamente neste filme. É precisamente essa a arma que Spielberg utilizou: a de criar robots que fossem tão semelhantes a humanos que provocassem na audiência um sentimento de pena por serem alvos de maus-tratos. Quem não viu o filme perguntar-se-á como é que isto é possível: apenas digo que os supostos humanóides estão mesmo reais, ou melhor...mesmo artificiais. Ou seja, sabemos que são actores mas parecem estupidamente máquinas. O engenho com que a caracterização os faz parecerem máquinas merecer ser aplaudido (truques como não pestanejar, por exemplo), bem como toda a minuciosidade nas cidades, casas e carros que integram o mundo futurista em que a acção decorre.
Por outro lado, o "I, Robot" já nos fala de algo que nem sequer imaginamos; se temos revoltas de máquinas em "Matrix", aqui estas revoltas adquirem um significado totalmente diferente. Ou seja, são os próprios robots que se desenvolvem sozinhos, ganhando eles próprios consciência. Isto parece demasiado fantasioso, mas integrado no contexto do filme não parece assim tanto. Mesmo assim, engenheiros de robótica não poupam críticas ao filme; consideram o filme extremamente exagerado (até aqui tudo bem), mas acham que o que de facto está mal no filme é o medo que incute às pessoas, deitando por água abaixo o esforço de divulgação de um robot simpático e inofensivo (que é o que normalmente nos é dado a conhecer e o que normalmente se cria). Eu concordo em muito com isto, até porque o ano dos acontecimentos (2035) é demasiado próximo para que até lá tecnologia deste tipo possa ser criada. Contudo, não deixa de ser um filme brilhante (já disse, eu gosto de Blockbusters...ou melhor...gosto de todo o cinema), pelo universo futurista credível que uma vez mais nos foi dado a conhecer, desta vez por Will Smith, actor que está no seu meio (acção/filmes de pouca história).
Para não me alongar muito mais, sugiro só uma breve reflexão: acham que a curto/médio prazo teremos humanóides próximos de nós e acessíveis a todos? Acham que algum dia poderão constituir perigo para nós? Quais é que serão as suas principais utilizações? Serão realmente úteis? Menosprezarão o trabalho humano, constituindo uma ameaça para os trabalhadores?
A minha resposta a todas estas perguntas é só uma: sim, serão. Teremos humanóides próximos de nós a curto prazo e a baixo custo...não propriamente a tecnologia de ponta que esperávamos, mas algo bem avançado. Constituirão obviamente um perigo para nós nas mãos erradas (os E.U.A. já detêm um protótipo de uma máquina de exploração de superfícies áridas, capaz de se defender, e que será utilizada já no Iraque); as suas principais utilizações serão numa primeira fase lúdicas, e a posteriori no nosso quotidiano, a picar bilhetes e a servir pipocas, na limpeza de ruas, agentes de trânsito, etc...O trabalho humano passará a ser cada vez mais inútil (já durante as Revoluções Agrícolas fenómenos idênticos aconteceram, e em grande escala), e essa inutilidade (e simultaneamente um grande sentimento de impotência) será, a meu ver, a grande ameaça das máquinas à humanidade....não robots que nos aprisionam em casa e tentam dominar o mundo...porque isso só acontece mesmo nos filmes de ficção cientifica de grande orçamento...

Quem estiver interessado, pode ainda obter informação sobre os robots de que falei (e sobre mais) neste site:

http://www.plyojump.com
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quinta-feira, maio 12, 2005

"Matar uma criança no seio materno é mais violento que matar uma criança de cinco anos".

desculpem a expressão mas...que merda é esta?

Frase proferida na missa de 7º dia de Vanessa PereiraPadre considera aborto mais violento do que matar uma criança 12.05.2005 - 16h39 PUBLICO.PT

"Matar uma criança no seio materno é mais violento que matar uma criança de cinco anos". A frase foi proferida pelo padre Domingos Oliveira, da paróquia de Lordelo do Ouro, durante a missa de sétimo dia de Vanessa Pereira, a menina de cinco anos que morreu vítima de maus tratos no Porto.
A cerimónia decorreu no passado dia 7, mas a frase polémica continua a ser defendida pelo padre Domingos Oliveira, que se recusa a retirar as suas palavras.Em declarações à rádio TSF, o pároco explica que uma criança no ventre da mãe "não se pode defender" de qualquer agressão, enquanto "uma criança de cinco anos pode reagir, pode chorar, queixar-se". O padre Domingos Oliveira diz mesmo que "há mortes que são mais graves e outras que são menos graves".Vanessa foi encontrada morta no rio Douro, depois de o seu pai e de a sua avó terem alertado para o desaparecimento da menina. Poucos dias depois, os dois familiares da criança confessavam à Polícia Judiciária que esconderam e lançaram ao rio o corpo da criança.Ambos estão indiciados por crimes puníveis, em cúmulo material, com um máximo de 12 anos de prisão. Foram acusados do crime de maus tratos a menor, agravado pela morte, previsto e punido pelo Código Penal com penas de três a dez anos de cadeia. São ainda acusados do crime de profanação de cadáver - devido à sua ocultação após a morte -, punido com dois anos de cadeia ou multa até 240 dias.

segunda-feira, maio 09, 2005

Vida de cão

a mesa de cafe

Estou mesmo preocupado, e mesmo em baixo, estupidamente, talvez, porque “com tanta fome no mundo” e “com tanta gente a morrer em guerras estúpidas”, não deveria haver espaço para estas pequenas e míseras preocupações, mas o que de facto acontece é que não estou a saber lidar bem com a situação.
Se há pessoas que nos marcam, há de certo animais que o fazem; talvez uns nem façam por isso, como é o caso de um peixe ou de uma tartaruga, mas há outros que insistem em fazer parte no nosso quotidiano, e não abdicam ou arredar pé dele, a não ser pelo motivo que martela o terminus da nossa existência (e da deles), e faz questão de berrar dos nossos ouvidos o bicho minúsculo que somos, e o quão efémera é a nossa existência, que bem somada, não é nada (tal como a deles). No entanto, somos capazes de a preencher com pessoas…e ao preenchermos com pessoas, preenchemos com relações, e ao preenchermos com relações, preenchemos com discussões, e ao preenchermos com discussões, preenchemos com zangas, amuos, e todos aqueles estados de alma que fazem toda a gente sentir-se como namorado(a) de alguém. No caso dos animais, apercebemo-nos do quão estúpidos e bárbaros somos quando os tratamos mal, e nos zangamos, por uma simples razão: porque estes não são, efectivamente, em nenhum momento da sua existência capazes de nos fazer mal; ou se são, foi porque transcendentalmente a Natureza os programou para que o fizessem, por terem fome, por se sentirem ameaçados, ou por qualquer outra razão que não nos compete a nós entender. Um cão é talvez o animal doméstico mais comum…é talvez mais um móvel da casa, um tapete, uma mesa, qualquer coisa. Só que com uma pequena particularidade: cobra-nos a nossa atenção de forma sábia e inteligente; não é uma namorada mimada e ciumenta que nos chateia por não lhe termos mandado um toque à hora X, por não lhe termos dito que a adorávamos na mensagem Y; os cães, ou o cão, denunciam a nossa falta de atenção e descuido com uma simples cauda que abana quando chegamos a casa, com uns pulos e uns tapetes deslocados num certo sítio, com um arranhar de porta simplesmente para entrarem e se deitarem ao nosso lado, sem dizerem uma única palavra, fazendo-nos aperceber do quão falhados somos no nosso papel de donos. Quando olhamos para eles, mesmo sem que eles sequer percebam isso, lembramo-nos uma vez mais que passou a hora da rua, que não lhe mudamos a água da taça, enfim, que falhamos, e que continuamos a falhar, por preguiça, porque eles não berraram connosco e nos disseram que estava na hora de ir à rua, não reivindicaram água porque estavam cheios de sede; e quando protestam, a única coisa que fazem é porem-se a olhar para nós, a morderem-nos as bainhas das calças, e a arranharem a porta da rua; por mais atrasados que estejamos; por mais vezes que o nosso descuido se repita; por mais egoístas e estúpidos que sejamos em não lhe darmos toda a atenção e cuidado que nos prometemos a dar quando insistimos em o ter, como um brinquedo, mas que como não podemos desligar se repercute na nossa vida, todos os dias, todo o dia.
Tudo isto para dizer que estou mesmo em pânico, porque detectaram Leishmaniose ao meu cão, uma doença que é praticamente inofensiva para o ser humano, mas que é fatal para os canídeos; podem-se retardar os seus efeitos com medicação, mas nunca se cura. Pega-se através de um mosquito que espalha a doença entre eles, e se encarrega de fazer o mesmo connosco, se bem que, como já disse, é muito difícil de a apanharmos (embora no caso de pessoas com um sistema imunitário mais deficiente esta se pegue com bastante mais facilidade, e possa ter outras consequências).
Sentimentalismos fora, um conselho para quem tem estes animais (e gatos também): evitem deixá-los a dormir fora de casa nestes meses quentes ou, basicamente, evitem expô-los aos mosquitos. Uma nota: há umas coleiras que não são 100% seguras mas que servem como repelentes destes bichos.
Agora que já me preocupei egoistamente com estes assuntos que não interessam a ninguém, continuemos – com alguma coisa que realmente interesse, como o facto da Académica não perder há 12 jogos, por exemplo. Enfim…

sexta-feira, maio 06, 2005

Tradições...

a mesa de cafe

Mais uma vez Coimbra entrega-se à tradição académica. Mais uma vez Coimbra é palco de bebedeiras e noitadas que atingem uns bons 75% da população universitária. Mais uma vez assistimos ao fim da praxe, aos convívios, às serenatas, ao cortejo e ao acontecimento que remata todas estas práticas: “As Noites do Parque”, festival em que se bebe mais cerveja do que na Oktoberfest, que era dantes celebrado no Parque da Cidade e que mudou mais recentemente para o espaço a que se chama “Quemódromo”. É engraçado ver como todos os jovens (pronto, quase todos) de todas as idades e ideologias, padrões e escalões sociais, estudantes ou não estudantes, correm ao recinto, seja simplesmente para ver um artista conhecido (que jamais passaria em Coimbra, fora deste acontecimento), para beberem, ou para ficar até tarde nas tendas de música electrónica. Todos com a mesma vontade de ir (e de ficar), todos (pronto, uma boa parte) imensamente orgulhosos de pertencerem a uma cidade que tem tradições académicas que remontam a séculos de existência…enfim…Coimbra adquire um sentimento quase que unificado, (porém volto, a frisar, só entre os mais jovens), sentimento esse que se esgota quando a semana acaba, e se volta à rotina, deixando de haver desculpas para ficar até tarde em dias de semana (ou pelo menos em que não se evita um certo peso na consciência de o fazer) …mas que porém renasce com a proximidade da seguinte…
Alegra-me a perspectiva de a curto prazo poder fazer parte deste universo estudantil, de poder levar uma vida que até agora não tive, de sentir que estou a estudar num curso que escolhi, em que se acabam as disciplinas que nada me dizem, de conhecer tanta, mas tanta gente nova…
Em conversa com a Mariana, pude constatar que esta se declara totalmente anti-praxe; eu entendo-a perfeitamente, aliás, partilho muitos dos pontos de vista dela acerca deste assunto…porém, não posso deixar de esclarecer o que penso:
Eu estou perfeitamente ciente daquilo em que a praxe se transformou – num mero exercício de humilhações por parte dos doutores, que se transmite e que assegura a sua continuidade, exactamente por essa tendência vingativa, natural no ser humano. No entanto, continuo a achar que este é o melhor meio de integração no meio académico, em que pelo facto de nos depararmos com situações caricatas aprendemos a rever as nossas atitudes; é a melhor prova que podemos dar da nossa capacidade de lidar com as mais diversas situações que nos caem em cima, sem aviso ou tempo de preparação. A meu ver, a praxe deve ser encarada com passividade…é certo que podemos não gostar daquilo que somos obrigados a fazer, mas se todos os obstáculos que a vida me reservar forem medir as Escadas Monumentais com um palito, estou certo que serei uma pessoa de sorte; por outro lado, compreendo perfeitamente que esta seja capaz de fazer o terror de pessoas mais reservadas ou sociofóbicas (ou seja, o género de pessoa que morre de medo que alguém a chame aos berros num centro comercial, e que faça questão que todos os transeuntes oiçam a conversa de circunstancia que insiste em ter), mas penso que isso até é um bom teste à própria pessoa…Só sou completamente contra uma coisa: que as pessoas que se declarem como anti-praxe sejam humilhadas (entenda-se, ainda mais humilhadas), e vistas como atrasados mentais por parte de um burgesso que faz Engenharia de Minas há 9 anos.
Em relação ao traje, considero que o seu fim inicial era mais que legítimo, ou seja, a tentativa de acabar com a diferenciação de estudantes pelo escalão a que pertencem; hoje em dia não passa de um mero capricho/ ornamento, que todo o estudante que ter para se juntar ao rebanho (e que admito, eu vou querer ter/ pertencer). Só isso. Ou talvez porque uma serenata sem uma grande mancha negra não seria o mesmo. Ou pronto, porque também sem ele não se poderiam distinguir as “Noites do Parque” de uma Festa Techno manhosa em Fornos de Algodres.
É assim, Coimbra; uma cidade de tradições _gastas, certamente_ mas que nem por isso deixam de ser tradições. E lá no fundo, sejamos honestos: a nossa passagem pela universidade seria um vazio enorme sem elas.

quarta-feira, maio 04, 2005

Noutro dia, estava eu caminhando rumo a esse poço sem fundo de conhecimento que é a aula de Direito e o respectivo professor_ esse homem sempre pronto a "montar" em grandes "cavalgadas" e que agora, por estar a "pão e água", se limita a olhar insinuosamente para os decotes das presentes_ quando ouvi um indivíduo /aluno gritar "comuna". E pensei: certamente que não se está a referir às comunas da época medieval, nem às associações colectivas de Mao Zedong, porque essas ele nem deve saber o que são. Certamente, então, estaria a apelidar alguém de "comunista" através de uma abreviatura. Também nesse caso o problema não seria grande, visto que as pessoas têm o direito de seguir as filiações ideológicas que bem entendem, sem que isso de alguma forma diminua o seu valor enquanto pessoas, não devendo ter qualquer problema em assumi-lo. A questão está, pois, na forma como foi desferido o comentário: e essa forma foi desagradável, infeliz, grosseira e bárbara e o modo como o atributo foi proferido não muito diferente do modo como dizemos a alguém "metes nojo", "puta", "asco", mas quando realmente o desejamos fazer, isto é, quando não estamos a gracejar. Bem, olhei para a frente, para ver a quem se dirigia o comentário_esperei ver, no mínimo, uma encarnação de Estaline, um comunista que merece ser tratado de tal forma pelas barbaridades e atropelos que cometeu (e eu conheço-os muito bem...não preciso que me ensinem)_ mas não, era mesmo um ser humano, um ser humano que, pelo que conheço, não merecia a acepção disfórica que o "gracejo" ganhou na boca do dito ofensor. Como todos sabemos, o comunismo seria, segundo Marx, o estádio último do socialismo, ao qual se chegaria depois da imposição da ditadura do proletariado. O que os outros estadistas fizerem das ideias de Marx foi bom e foi mau, mas certamente que o facto de mao Zedong ter matado mais de 20 milhões de pessoas na China foi péssimo, desumano, imperdoável. Mas um comunista não precisa necessariamente de concordar com estes atropelos_ nem pode, obviamente, na minha opinião_ e isso não faz dele menos comunista. Será que o indivíduo em causa sabe disto? Será que ele sabe quem foi Karl Marx? Será que sabe quem foi Engels? Será que sabe que Che Guevara não nasceu em Cuba?Ou será que, simplesmente, enquanto agarrava a namorada pela cintura, lhe apeteceu repetir alguma coisa que tinha ouvido em qualquer lado? Se assim foi, é um pobre de espírito; se assim não foi, lamento, mas não deixa de o ser.
PS: eu não sou comunista, não concordo ideologicamente com o comunismo, não concordo com o que comunismo se tornou porque não concordo nem com repressão, nem com carnificinas, mas a questão em causa não é política, é simplesmente barbárie, mediocridade e maldade. E repito: não pelo atributo, mas pela forma como foi atribuído.

A Feira do Espírito Santo

a mesa de cafe

Todos os anos (ou pelo segundo ano consecutivo), por esta altura, sou obrigado a gastar mais uns decilitros de gasolina por culpa da chamada “Feira do Espírito Santo”. Eu quando começo a ver as primeiras luzinhas de santinhos e as primeiras lonas azuis fico logo a transpirar, na esperança que aquilo seja só uma quermesse da igreja ou qualquer coisa do género…
A “Feira do Espírito Santo” é qualquer coisa de surreal, e vai adensando essa sua característica de ano para ano. A minha pergunta é: será que alguém pode achar aquilo divertido? Ou melhor, será que aquilo tem alguma coisa de divertido? Chamem-me egoísta (pobres feirantes, que ganham a vida com aquilo), mas sempre que passo por lá aquilo está deserto. Meia dúzia de mulheres com calções de Lycra e carteira debaixo do braço, com um ar desorientado, e pouco mais. Mas pronto, têm que lá montar o estendal, e assim obrigar-me a descer a circular todos os dias, em vez de encurtar caminho pelo Largo dos Olivais. Mas é que ainda por cima são sempre uns marroquinos que montam uma tendinha com pulseiras de cabedal, mesmo em frente à passagem que liga a Calçada do Gato ao Largo. Todos os outros feirantes têm, ao menos, o bom senso de deixar aquilo desimpedido, e de pensar um bocado nos outros, mas eles por teimosia montam sempre lá aquela bosta, até porque chegam sempre atrasados, dois ou três dias depois desta começar. A sucursal que têm na baixa não lhes deve chegar, e é por isso que vão para lá escoar os stocks.
Enfim…fica o desabafo. Admito que isto não vos interesse minimamente, mas tenho a certeza que aqui sou mais ouvido do que na Câmara…

segunda-feira, maio 02, 2005

Será que convivemos com Extra-Terrestres?



Penso que esta é uma questão que nos intriga a todos, pois vivemos divididos entre o cepticismo e as aliciantes provas que constantemente nos mostram na Televisão.
Mas, esta questão implica muito mais do que a existência ou não de Vida Inteligente no Espaço, o que me parece quase certo, dada a infinidade de Sistemas e Galáxias existentes.
Com efeito (mais uma vez), para que possamos realmente ter visitantes vindos de longe (como o Papa), é necessário um conhecimento muitíssimo mais avançado do que o nosso; caso contrário é praticamente impossível (para não dizer mesmo impossível). Passo a explicar:
Começa no facto de o nosso Sistema Solar (onde é quase certo sermos a única forma de vida inteligente) ser ENORME. Por exemplo, se as representações deste que aparecem nos livros escolares estivessem correctas (ou seja, se àquela escala reduzidíssima as distâncias entre os vários planetas estivessem correctas), Plutão estaria a cerca de 7km da terra (nos livros está a 10cm). Mais, isto corresponde apenas a 1/50000 do tamanho do nosso Sistema Solar! É difícil de Imaginar, ainda mais se pensarmos que isto não é nada quando comparado com o tamanho da nossa galáxia, e mais ainda do Universo. Mas não é tudo. Partindo do pressuposto de que se pudesse viajar a Velocidade da Luz (Einstein - o nosso amigo - disse que esta velocidade não era ultrapassável por um corpo material, teoria que ainda vigora...), o sítio mais próximo da terra onde poderia eventualmente haver vida estaria a 200 anos-luz. Ou seja, se estes seres nos vissem, veriam....Napoleão.... e para cá chegarem teriam que estar no mínimo a viajar hà 200 anos (se o fizessem à velocidade da Luz), com todas as impossibilidades que isso contém...Como se deduz, é muitíssimo complicado ou praticamente impossível que exista vida extraterrestre no nosso planeta....
Contudo, isto é só um exercício de dedução baseado no que agora sabemos. Pode estar errado!
Quando me apercebi desta realidade, confesso que passei a ser ainda mais céptico em relação àquelas naves e àqueles seres semi-liofilizados que nos querem à viva força impingir, mas, nunca se deve dizer nunca!

E se o "não" ganhar?

A 29 de Maio de 2005 realizar-se-á, em França, o referendo para a ratificação do Tratado Constitucional e, ao que parece, apesar da subida percentual do "sim", o "não" ainda domina. Pode dizer-se, no caso do "não" ganhar, que esta será a consequência dramática de se pôr a votos uma questão cujas repercussões não podem ser mesuradas apriori pela população e cujo âmbito envolve questões e complexidades demasiadamente difíceis de entender por mais Constituições Europeia que se ponham à venda em França ou em qualquer outro país e por mais cidadãos que efectivamente as comprem. A verdade é que dar às pessoas o poder de decidir questões de importância supranacional pode ser um erro e por uma simples razão: pelo facto dos indivíduos não saberem ou porque votam "sim", ou porque votam "não", guiando-se pelas filiações opinativas dos seus partidos, ou criando uma mística intelectual à volta do "não", qualquer coisa de revolucionário ou de contra-reaccionário, que em França sempre funcionou muito bem. As situações francesa e holandesa são as mais flagrantes e as mais perigosas, sendo que a francesa terá um impacto muito mais forte pelo seu papel de "mamã da Europa". De facto, em França sente-se, talvez demasiado, a degeneração do filho: um filho que deveria ser os "Estados Unidos da Europa" e que, com os sucessivos alargamentos a países pouco desenvolvidos, se tornou uma união de estado brasileiros_ onde há alguns ricos e outros pobres e onde os ricos têm de sustentar os pobres_ . Na prática, contudo, é indiferente se for a Espanha, Portugal, a Alemanha ou a República Checa a vetarem a Constituição porque basta que o processo falhe num só país para que o tratado não entre em vigor. Contudo, na Holanda, por exemplo, alguns iluminados resolveram dar ao referendo um carácter apenas consultivo, sendo que este item pode não salvar a Europa no caso da maioria parlamentar achar que a opinião popular deve ser respeitada.
Ou seja, se há países onde o Tratado deve passar sem grandes entraves nos referendos a realizar, como em Portugal ou no Luxemburgo, há outros onde a situação é muito complicada, como no Reino Unido (60% "não" 40% "sim), e muito difícil de reverter pelas margens percentuais já reveladas. A pergunta é: o que vai acontecer então, ou seja, o que sucederá se esses cenários hipotéticos se converterem em realidade?

domingo, maio 01, 2005

Annus Mirabilis: 1905-2005



Comemora-se este ano o centenário, não do nascimento, muito menos da morte, mas sim do Annus Mirabilis de Albert Einstein.
Com efeito este foi o ano mais produtivo deste, então, Funcionário de Patentes. Mas o mais espantoso é que nem sequer foi o ano em que publicou a tão conhecida Teoria da Relatividade (publicou-a sim, mas a Teoria da Relatividade Restrita). Neste ano, de facto, o físico publicou a Sua Tese e 5 artigos sobre Física, os 3 mais importantes na Revista Annalen der Physik. Estes últimos são hoje tidos como alguns dos melhores artigos sobre física jamais escritos. Isto é algo que agora não espanta, mas se tivermos em conta que foram escritos por um mero Funcionário de Patentes que nem sequer arranjara colocação numa Universidade, ou sequer numa escola, parecer-nos-á mais insólito. Mas, na verdade, o mais espantoso de tudo é o facto de a estes artigos faltarem duas coisas que, naqueles tempos (e mesmo agora), eram obrigatórias em qualquer artigo científico da área da física que se prezasse. Na verdade, estes artigos quase não tinham vestígios de matemática e praticamente não apresentavam citações científicas. Imagine-se qual seria a reacção dum Físico iminente que, ao folhear a Revista, se deparasse com um artigo destes; não lhe daria certamente a mínima credibilidade
Este ano de 1905 foi realmente marcado por uma autêntica explosão de criatividade. Einstein revolucionou, quase duma assentada, os conhecimentos sobre Moléculas e Luz (e electricidade) e, como se não chegasse, ainda publicou a controversa Teoria de Relatividade Restrita e a sua Tese.
Mas, à parte destas Revoluções no campo da Física, que a nós, leigos, á partida pouco nos dizem, o que motiva a minha (e penso que não só) admiração é o facto que já referi: a originalidade e a não utilização de matemática.
Com efeito, ao contrário daqueles físicos típicos cujas teorias se encontram pejadas de números e cujo caminho que estes tomaram para chegar àquele emaranhado de noções nos é totalmente incompreensível, Einstein fez tudo de um modo absurdamente simples (o que aliás foi uma das causas da difícil aceitação das suas Teorias), e, de certa forma, compreensível para o Senso Comum. Ele revolucionou a física, não debruçando-se sobre uma pilha de papéis repletos de números, mas sim sentando-se na sua poltrona e reflectindo livremente sobre o Porquê das coisas. É, com efeito, esta originalidade (e não só, obviamente) que nos motiva a admirá-lo, pois, na verdade, ele teve o dom de aproximar a Física daqueles a quem aquele mundo nada dizia.
Assim, é por estas e por outras (também) que este Judeu alemão, que chegou a rejeitar a sua nacionalidade, é considerado geralmente o Maior Físico de Todos os Tempos e este ano, merecidamente, se lhe presta Homenagem.

Não esquecer o primeiro de Maio...

a mesa de cafe

Apesar de ser dia da mãe, e não ser segunda-feira (que sem dúvida me deixaria mais alegre com o feriado), hoje é dia 1 de Maio, dia do trabalhador; contam os que assistiram que os primeiros “primeiros de Maio”, logo a seguir ao 25 de Abril, eram passados em grande alvoroço na Praça da República…as pessoas saíam às ruas, como num profundo agradecimento, como numa manifestação de contentamento por finalmente poderem celebrar algo tão característico de um país onde se valorizam os trabalhadores (ou, pelo menos, onde se deveriam valorizar), como é este feriado…
O facto deste ter surgido em Chicago, nos E.U.A., permite-me concluir uma vez mais que há muito mérito no povo americano; pode não o haver em alguns republicanos, que fomentam aquilo que a América é e não deveria ser, mas há mesmo muito Volkgeist naquele país…
Nunca esquecidos sejam Os Mártires de Chicago

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