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Para reflectir...

Dou-me ao trabalho de transcrever este artigo do Público de 4ª feira, intitulado O oráculo, do jornalista Joaquim Fidalgo, porque acho que demonstra o que se passa em relação a este Presidente da República e que ninguém vê ou não quer ver:
"Era uma vez um primeiro-ministro de Portugal que, segundo confessou num momento de rara sinceridade, nunca se enganava e raramente tinha dúvidas. Ao contrário dele, havia outras pessoas - e membros de outros órgãos de soberania - que por vezes tinham dúvidas, desde logo sobre algumas opções do Governo liderado por ele. Mas se essas pessoas ousavam tornar públicas tais dúvidas, pondo em questão esta ou aquela medida, apelando a esta ou àquela reponderação, o primeiro-ministro reagia mal, por entender que estavam a fazê-lo perder tempo precioso na condução do país 'Deixem-nos trabalhar, deixem-nos trabalhar!...', reclamava, enfadado. De facto, se ele nunca se enganava e raramente tinha dúvidas, tentar discutir a bondade das suas escolhas e decisões era perder tempo: as suas escolhas e decisões eram sempre as melhores, com certeza absoluta.
Mau, mesmo mau, era quando essas dúvidas ou remoques vinham do Presidente da República de então. Ficou célebre o modo como o dito primeiro-ministro resolveu baptizar, à época, não só o presidente, mas todo e qualquer organismo ou istituição que entendesse manifestar opinião dissonante do executivo: eram "forças de bloqueio", eram gente que não deixava o Governo "trabalhar" e que, portanto, estavam, com as suas dúvidas, a impedir o progresso do país. Por isso é o que o tal primeiro-ministro raramente tinha dúvidas: para que o progresso do país nunca parasse!
O mundo deu voltas e esse primeiro-ministro, depois de uma alargada travessia do deserto, voltou ao poder - mas, agora, precisamente à Presidência da República, ao tal sítio onde costumava morar uma "força de bloqueio" ao Governo. Seja porque o tempo passou, porque as coisas evoluiram ou porque as paredes do Palácio de Belém têm uma substância qualquer que afecta os seus inquilinos, o certo é que o actual Presidente também já tem dúvidas - e muitas. A mais recente, uma dúvida fortíssima, foi sobre os estudos para o novo aeroporto de Lisboa. Pelo meio, teve dúvidas sobre os critérios da RTP quanto à transmissão ininterrupta de uma cerimónia oficial em que ele participava. Agora anuncia-se (pela voz de Marques Mendes) que o projecto do TGV também lhe oferece fortes dúvidas. Saúda-se a evolução, e não se cairá no excesso (cometido por alguns no passado...) de confundir uma dúvida ou uma chamada de atenção com uma "força de bloqueio".
Pela parte que me toca, eu tenho dúvidas aos montes. E até tenho dúvidas sobre algumas das dúvidas que os outros têm. Quando vejo o presidente da CIP repetir até à exaustão que o novo estudo sobre a localização do futuro aeroporto foi de algum modo "articulado" com as dúvidas do Presidente da República sobre a matéria e que, a haver mudança da decisão do Governo, ela ficará a dever-se ao empenho do Presidente da República, fico com as minhas dúvidas. Aliás genericamente duvido que devamos endeusar a palavra do Presidente, seja a propósito de que assunto for, só porque é o Presidente. "Força de bloqueio" não; mas oráculo infalível e sagrado, também não. Como o homem agora já tem dúvidas, se calhar por vezes também se engana..."
Depois disto...não tenho dúvidas.

Pelos vistos o nosso PR já não dá tanta importância ao pugresso. Bom artigo, acho que vou convidar esse Joaquim Fidalgo para escrever aqui.

"Preso por ter cão e preso por não ter"

Então antes o homem estava caladinho e criticavam-no, agora que decidiu abrir a boca...criticam-no também.

Aliás, concorde-se ou não (e eu até nem concordo com este estilo), Cavaco tem sido coerente. O que Soares fazia, as ditas "forças de bloqueio", era muito diferente do que Cavaco faz agora. Quanto mais não seja, porque eram críticas muito mais frequentes e, a grande diferença, explícitas (ao contrário destas, que nem chegam a ser implícitas)!

Não estou a discutir qual é a melhor conduta para um PR. Mas, convenhamos, não são iguais!

Escolher o lugar do aeroporto...Escrever cartas para a RTP a fazer reclamações de não terem dado a cerimónia toda do 10 de Junho...Tentar meter o máximo de restrições à lei do aborto em que os portugueses votaram. Se isso não é interferir na governação vou ali já venho. Gostava de ver se fosse o Soares...era logo tudo em cima do homem!

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