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Legalize...ou não. O problema passará mesmo por aqui?

a mesa de cafe

A legalização das drogas é, a meu ver, um assunto que merece ser tratado com a mesma atenção que o aborto ou a eutanásia, porque interfere uma vez mais com a vida humana, porque a condiciona, porque a retira, ou simplesmente porque está presente nas nossas vidas, andando sempre ao nosso lado, por tomar conta de conhecidos ou desconhecidos, amigos ou inimigos e, em muitos casos, de familiares.
As drogas nunca poderão ser repelentes enquanto houver pessoas que se fascinam e se orgulham de estar ligado ao mundo destas. Se bem que na maior parte dos casos as pessoas que se fascinam com estas são infantis, ou simplesmente imbecis, a verdade é que existem, e são as culpadas destas proliferarem e assegurarem de forma tão avassaladora a sua presença na sociedade.
Quando pensamos num drogado, a imagem que nos vem imediatamente à cabeça é a de um esfarrapado arrumador de carros, de um mendigo que usa uma caveira em vez de uma cara...nunca admitimos a possibilidade que um nosso amigo, um nosso familiar seja isso - um drogado. Talvêz porque no mundinho em que vivemos, nesta aldeia, os drogados que temos mais próximos ainda têm bom aspecto. Ainda se riem. Ainda andam em bons carros e se vestem com boa roupa. E como convivemos quase diariamente com eles nem nos apercebemos da bola de neve em que a vida deles se transformou, e se vai transformando, afigurando-se únicamente um final muito mau para esta.
Eu penso que na nossa idade as drogas "leves" já não nos fazem muita confusão. O tabaco já não faz. O Álcool já não faz. Uns pampos de vez em quando também já não são motivo para chamar a ninguém drogado. E assim de geração em geração a barreira entre o "normal" e o "anormal" vai andando quilómetros, sem que nem sequer nos consigamos aperceber disso.
Penso que será fulcral para conseguirmos debater este assunto entedermos verdadeiramente as proporções que este atingiu no nosso quotidiano. Hoje em dia as chamadas "drogas leves" chegam-nos com uma facilidade quase que absurda. A realidade é mesmo esta: quem quiser usar, usa, quem não quiser não usa. Qualquer pessoa as tem disponível com um simples estalar de dedos. Parece-me que aqui a única coisa que realmente conta são as opções, uma vez mais de cada um. E uma vez mais devo dizer que qualquer pessoa deve ter direito a escolher. O mesmo dizem os folhetos que andam aí a distribuir, e que passo a citar: "Podes escolher não fumar um charro porque afinal já te sentes bem, as preocupações ou problemas não se resolvem com a ilusão da fuga! Porque não precisas de substâncias para te divertires e também porque preferes manter a tua percepção sem alterações e assim correres menos riscos"; ou então "Podes escolher fumar um charro para tentar ficar mais animado, para te sentires "no espírito", porque a roda de amigos não pode quebrar ou simplesmente porque sim! Porque até nem faz mal, os riscos são poucos e nunca ninguém morreu de overdose !".
Antes de mais deve dizer que considero este folhetos dignos de serem aplaudidos, porque cumprem a 100% a sua função. Chegam a toda a gente, com uma linguagem descontraída e clara, mas também rigorosos na informação que dão, e credíveis, por serem do Instiuto da Droga e Toxicodependência, o que afasta logo a possibilidade de ter sido um drogado reprimido que decidiu tirar umas fotocópias.
Penso que a meu ver são iniciativas como esta que fazem falta, e é, aliás, por falta delas, que a droga continua a ser tabu. Quanto às camadas que atinhe, na minha opinião, atinge todas, sem qualquer tipo de excepção. Mas porém ainda há aquela gente, vulgo Santanetes que reagem e reagirão sempre da mesma forma: "O meu Bernardo/Manel/Constança (nomes muito em voga)? A menina tá parvaaaaaaaaa?". Porque isso é algo que, como já disse, só acontece aos outros e, preferentemente, ao filho, quiçá, da empregada.
Resumindo um pouco tudo o que já disse, penso que uma vez mais a realidade se deve situar nas opções, e não nos decretos. Porque eles simplesmente não funcionam, porque são obsoletos, porque pioram a situação em vez de a resolver...por milhares de razões que não vale a pena referir. É por isso que uma vez mais alerto para a necessidade de, principalmente enquanto jovens, sermos informados verdadeiramente. Para sabermos realmente distinguir entre drogas leves e pesadas, para sabermos realmente quais os perigos de fumar uma ganza , e quais as diferenças e a distância que vai até usarmos pastilhas, ou no caso de sermos completamente inconscientes, passarmos para a branca, o último escalão da carreira de drogado. Para que não haja mais desculpas para que pessoas da minha idade se metam nisso, se por um lado deliberadamente, por outro (de certeza) inconscientemente. Porque na minha opinião de ignorante, os relatos que ouço em relação a indívudo X ou Y, ao contrário do que os próprios apregoam, nunca aponta num sentido de melhora e independência, mas sim num acumular de más vivências - nos da minha idade a coisa traduz-se em não ir às aulas, dormir a horas perfeitamente absurdas, andar sem dinheiro, receber telefonemas (felizmente não no meu caso) de pais em pânico, sem saberem onde o filho anda, onde o filho está, com quem está e, mais que tudo, a fazer o quê. Porque sim, os pais acabam por ficar envolvidos neste processo. Sentem os filhos cada vez mais distantes, e talvez cada vez mais ausentes, sem saberem como inverter a situação.
Mas talvez o que me faz mais impressão (e isso sim, está aos olhos de todos) é observar a pele cada vez mais junta aos ossos, os músculos a desaparecerem, a incapacidade de conseguir manter uma conversa com pés e cabeça, e talvez a que mais impressiona - o estado artificial de vida em que a pessoa se encontra e vive, em que passa a ser...um zombie (e não me estou com isto a referir de certeza aos que se ficaram pelas pampas).
Com isto tudo só quero deixar uma mensagem: cuidado. Cuidado com as experiências. Informem-se o mais possível. Não acreditem no que este ou aquele diz. Leiam e consultem, pensem e nunca aceitem nada por obrigação ou pressão - quem vos pressionar a aceitar o que quer que seja não o faz por ser verdadeiramente bom - está simplesmente a tentar libertar o seu peso de consciência adicionando mais um. Aos olhos da lei, as coisas são aparentemente simples. Eu não posso deixar de concordar com ela, apesar de achar que o problema da droga está longe de ser resolvido com esta.
Informação, é isso que peço. Informação. E acho que não é pedir muito. Vocês acham?

Informem-se mesmo! Que tal o site: http://www.drogas.pt/id.asp?id=p1

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

O problema não passa pela legalização ou não das drogas leves, pesadas, ou assim assim, até porque não é essa a função da lei: não acredito que quem legisla um determinado assunto sobre drogas esteja com ideia de que vai salvar o mundo ou perdê-lo para sempre. A lei existe, há quem a cumpra, há quem não, mas ela não deixa de existir. E não acredito que a droga, assim como o tabaco seja um problema de informação: na idade em que a possibilidade de experimentar a droga surge, começando pelas leves, o jovem sabe duas coisas: que a branca e a coca não são para consumir porque matam, mas que os pampos e as ganzas "não fazem mal" e são boas para o pessoal se integrar. Ora, parece-me que se o jovem tiver este tipo de informação reduzida pode, por si só, e sem panfletos e demais campanhas, escolher entre a morte e a vida. E sabe também que a partir do momento em que se mete nas mais perigosas depois de alguns tempos nas mais leves, está está a dizer adeus à vida como ele a conheceu até ali fosse ela a merda que fosse. Não estou a dizer que a informação seja inútil na sua totalidade, mas tenho plena consciência de que ela não resolve nem 1/4 do que é o problema da droga. Porque ele não é um problema do exterior que influencia o interior: é um problema interior que procura solução e manifestação. Mas há jovens a morrer. De toda a parte. Em toda a parte. Nos bairros sociais. Em casas geminadas. A morrer a sério.

Pois é Marta, era bom que toda a juventude portuguesa se resumisse ao nivel de informação que sortudos como nós temos, por ouvir em casa, por ouvir na escola, por ouvir o(a) amigo(a)a relatar situações concretas. O que talvez te esqueças é que ainda há muito bons meninos que não encontram problema em pôr uma pastilha ou uma roda, que é basicamente a fronteira entre as drogas "inofensivas" que falas e as "que realmente matam". Talvez porque no seu cérebro conflituoso não consigam imaginar uma unhaca negra a trabalhar num laboratório montado numa cave à meia-luz, e uns balões cheios de reagentes químicos, vindos de sítios que ninguém sabe, e que provocam efeitos que ninguém sabe.
Talvez uma campanha de "choque" não fosse muito mal pensada, e chegasse para meter medo ao peito mais feito e ao nariz mais empinado.

o problema das campanhas (mesmo das de choque) é sempre o mesmo: as pessoas ficam, de facto, chocadas, mas não alteram em nada os seus comportamentos. Isto porque (até pode parecer uma frase feita mas é verdade)apesar de conhecermos a realidade,nunca pensamos que ela nos afecte a NÓS! Lembrem-se da campanha contra a sinistralidade nas estradas em que apareciam pessoas em cadeiras de rodas por causa de acidentes rodoviários.

Agora disseste tudo:há quem tenha um "cérebro conflituoso". Será a informação suficiente para proceder à "desconflituosação" desse cérebro?

A informação por si só não, porque será o mesmo que tentar furar uma parede de chumbo com uma folha de papel, enrolada das mais diversas formas possíveis - neste caso, seja em panfletos, spots de T.V. ou em gravadores de bata que levam às escolas.
E que tal uma visitinha de estudo a um centro de desintoxicação? A meu ver é quase impossível não "desconflituar" ninguém, mesmo o mais obtuso dos cérebros...

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